Relatório (Estágio Orientado)

Relatório de Estágio Orientado

Elaborado por:

Marcondes Lucena de Farias

 

Introdução:

 

            O texto a seguir trata-se de um relatório de estágio, que foi efetuado no Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis (CAEL), em Campo Grande, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. O estágio teve duração média de 3 meses, que se estenderam de setembro a novembro de 2009. As aulas monitoradas foram de Sociologia, em turmas de 3º ano do ensino médio.

 

Banda Marcial do CAEL

Banda Marcial do CAEL

Relatório

 

            “Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo.” – assim se expressou Paulo Freire, sobre o processo de aprendizagem. (Freire, 2007, p. 27. O grifo é meu.) Essa passagem de seu livro Pedagogia da Autonomia é interessante. Passa-nos a idéia de que, mesmo no caso de serem cometidos erros na prática docente, o “espírito” da educação deve ser mantido – o pensar certo.

            Bem, este é aqui o nosso caso. Todos aqueles que aprendem técnicas docentes, pedagógicas, devem ter por objetivo o “pensar certo” freireano. No entanto, esses aprendizados são teóricos e abstratos. A vivência educacional é o que nos leva ‘às vezes, a pensar errado’, e com isto evoluirmos na teoria e também na prática.

            O estágio nos possibilitou bem esta oportunidade de “pensar errado”, expressão aqui interpretada como a oportunidade de se praticar o que se aprendeu certo, porém incompleto. O estágio nos mantém em foco sobre a realidade educacional tal como ela é, aos desafios e humanos reais, e não como eles deveriam (na nossa imaginação) ser.

            Em nosso estágio podemos analisar o modo prático de se fazer regência e como poder assegurar a atenção da turma. A professora supervisora que acompanhávamos empregava várias técnicas e assuntos nesse sentido, embora em alguns casos (e muitos) não tenhamos conseguido alcançar o objetivo. Evidentemente, isso se deve tanto por fatores biológicos (os adolescentes não conseguem se fixar por muitos minutos num único assunto) quanto por fatores sócio-culturais (alguns deles apresentaram sérios problemas estruturais na família, como de formação familiar, ausência dos pais, etc), além do próprio contexto em que foi efetuado o estágio (no último bimestre do último ano de ensino médio as atenções ficam bem reduzidas para as aulas). Mas a elevada importância que desejamos dar é ao fato de termos alcançado os objetivos principais do estágio: verificar e refletir sobre a disparidade existente entre a teoria e a prática educacional.

            Muitas atividades foram desenvolvidas durante o período de estágio. O tema do bimestre era: “Os mecanismo de sustentação dos grupos sociais”. Falou-se sobre grupos sociais, normas, sanções, etc. Notamos como a professora supervisora sempre procurou dar uma tonalidade de aplicabilidade dos assuntos abordados à realidade vivenciada pelos alunos, ou que eles vivenciariam em suas profissões (o ensino médio que estagiamos é técnico). Por exemplo, ao falar-se sobre o mecanismo social “liderança”, procurou-se refletir sobre esta importante categoria em cada curso técnico em que era ministrada a aula sociológica. Além disso, a professora utilizou um filme e recomendou um livro para serem analisados em aula sobre os temas em questão. Os alunos interessaram-se bastante pelo filme (veja a Ficha de Registro de Atividades nas datas 25 a 29 de setembro), visto tratar de questões ideológicas muito chamativas aos jovens. Quanto ao livro, notou-se reduzida atenção pelos alunos. Os adolescentes das gerações mais recentes parecem não estar muito influenciados pela atividade “livresca”, salvo algumas exceções.

            Concernente, agora, à nossa regência, precisamos ressaltar primeiro a sua importância. É sabido que alguns têm uma facilidade natural ou carisma para chamar a atenção do público para si. Isso também ocorre no caso das turmas de alunos, não importa a graduação. Alguns deles possuem uma grande necessidade psicológica de ter a todos voltados para as suas frases e trocadilhos “piadescos”. O educador deve estar atento, ao entrar em uma sala de aula, em verificar os alunos ou o aluno que deseja (até mesmo inconscientemente) conseguir a liderança pessoal da turma. Alguns que possuíam a liderança institucional por meio da presidência de turma não eram os líderes pessoais, carismáticos. Ao se detectar o líder da turma, pode-se manter o controle da turma por meio dele, usando a sua participação. Mas o descontrole por meio do líder levará a turma toda à balbúrdia, como ocorreu em várias ocasiões em aula.

            A regência tem por alvo principal aplicar técnicas pedagógicas de forma prática. Os métodos e argumentos teóricos são aí finalmente testados. Saber a aplicabilidade das fórmulas pedagógicas parece ser a principal importância da regência em Estágio Orientado.

            Nós demos uma aula à turma sobre a “Estratificação Social”. Falou-se basicamente sobre as classes sociais e como elas são sustentadas. Tentou-se fazer uma ponte entre o tema principal “classe social” e o tema coadjuvante “consciência de classe”, em Marx, mas isso não foi bem recebido pela professora supervisora devido a fatores ideológicos.

Conclusão

 

            Para concluirmos este relatório, precisamos ressaltar ou enfatizar o fato de haver muitas diferenças e dificuldades entre a teoria e a prática educacionais. As teorias psicológicas e técnicas pedagógicas aprendidas pelos futuros professores sociólogos não seriam jamais compreendidos na sua condição real se não houvesse a conclusão prática de estágios.

            Uma outra importante observação que pode ser alcançada por meio do estágio diz respeito a como os alunos encaram a sociologia em suas respectivas áreas de atuação e contexto social. Fez-se uma pesquisa simplificada durante o nosso período de estágio para se verificar a opinião de alguns alunos quanto às aulas de sociologia. A maioria respondeu não ver uma correspondência clara e direta dessa matéria à sua área de formação, como informática, por exemplo. Outros deram respostas evasivas, demonstrando desinteresse. Uns poucos usaram de sarcasmo e ironia, sempre produzindo frases e trocadilhos sobre os questionamentos (“Eu não gosto de sociologia, gosto de ‘sexologia’”, foi uma das respostas).

            A respeito do que deve ser melhorado nos próximos estágios não se tem muito a comentar. No entanto, seria benéfico e muito plausível se fosse reduzida a grande burocratização do processo de entrada e conclusão do estágio. É evidente que problemas com essa burocratização se deveram em grande parte por imperícia dos estagiários iniciantes. Tais problemas provavelmente serão resolvidos definitivamente em futuros estágios.

Bibliografia:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

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