A Internet e os Movimentos Sociais (Informática Educativa)

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A Internet e os Movimentos Sociais

O objeto de estudo das Ciências Sociais, em especial da Sociologia, vem sido construído ao longo dos anos, no processo de formação e concretização desta área científica. Embora não haja consenso histórico sobre qual seria este objeto de estudo, dadas as várias correntes sociológicas existentes e as diferentes concepções formuladas pelas mesmas, é verificável em todas estas tendências teóricas o estudo dos fenômenos que ocorrem em sociedade como fruto das atividades humanas.

Os movimentos sociais, sem dúvida, fazem parte ou estão englobados no rol de temas discutidos, analisados e estudados por todas as correntes sociológicas existentes. Quer a abordagem de tais movimentos se dê de uma forma conservadora, no intuito de controle e repressão de tais movimentos, como ocorre na abordagem positivista; quer ocorra numa tendência mais revolucionária, como no caso do Marxismo; ou ainda simplesmente com o objetivo de compreensão e análise, pela sociologia weberiana — os movimentos sociais sempre são assunto de pauta das Ciências Sociais.

Alguns pontos a se considerar nas abordagens sociológicas relacionadas aos movimentos sociais são os questionamentos a respeito de como eles surgem, a que interesses servem e como se dá seu desenvolvimento histórico propriamente dito.

Evidentemente, todo movimento social surge como resultado da geração de uma demanda histórica, advinda das relações sociais que se estabelecem entre os homens de uma sociedade. Poderíamos citar como exemplos de movimentos sociais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), os movimentos feministas, os movimentos pelos direitos do público GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), entre outros.

Todos estes movimentos citados no parágrafo anterior, se analisados, sinalizam alguma demanda ou necessidade histórica a ser contemplada ou suprida por algumas camadas sociais menos favorecidas em determinados sentidos. Resumidamente, podemos verificar os seguintes pontos:

  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra — sinaliza que alguns direitos sociais, como o acesso à propriedade para a produção de bens de consumo, estão desregularizados em dada sociedade. Pode também caracterizar como especificidade de determinada sociedade aonde se encontra o movimento a acumulação exarcebada de latifúndios, ou grandes lotes de terra, em detrimento de grande contingente populacional em condições sociais precárias.
  • Movimentos feministas — sinalizam que alguns direitos sociais estão sendo negados ou suprimidos devido a condições historicamente construídas, interligadas a relações de gêneros.
  • Movimentos LGBT — sinalizam que algumas condições históricas desfavorecem às manifestações de diversidades ou particularidades de alguns indíviduos ou grupos, interligados às relações sociais de orientação da sexualidade.
  • Movimentos reivindicatórios — sinalizam que alguns direitos, amplos ou específicos, não têm sido respeitados, ou até mesmo perseguidos, por alguns setores sociais em detrimento de outros, numa perspectiva de subornização ou de ilegalidade.

Uso da internet pelos movimentos sociais

 

Não obstante, o questionamento ou análise a que nos propomos diz respeito ao uso da internet como ferramenta útil para tais movimentos sociais. Inicialmente a internet atendia apenas a alguns interesses específicos, perticularmente comerciais. Visava-se, primeiramente, uma melhor articulação nas relações empresariais, com o aumento na velocidade das comunicações das informações e das transações capitalistas. Posteriormente, esta facilitação no processo das comunicações das informações expandiu-se para além dos interesses particulares das empresas. De modo que o uso da internet como ferramenta de pesquisa, isto é, acumuladora e transmissora de informações globalizadas, passou a generalizar-se, tornando-a sinônimo de informatização cada vez mais eficaz.

É justamente devido a esta facilidade de comunicação amplificada que a internet tem se tornado uma ferramenta útil pelos movimentos sociais. O uso da rede de computadores global também se faz necessário pelo fato de alguns grupos e suas ideologias não serem bem recebidos pelos demais meios de comunicação de massa, como é o caso da mídia corporativista. Presenciamos repetidamente ataques midíaticos a tais movimentos, criminalizando-os na opinião pública.

De acordo com a Jornalista e professora Christa Berger, a relação entre mídia e movimentos sociais

é desigual e comprometida. Ou seja, a midia trata os Movimentos Sociais como um OUTRO que ameaça a sociedade. A sociedade que ela, a midia, defende e representa. A relação, portanto, corresponde a lógica da relação entre os que são desiguais estruturalmente.[1]

De modo que tais movimentos necessitam, naturalmente, de mecanismos alternativos de transmissão de sua visão ideológica, propósitos sociais, etc. Uma breve pesquisa na internet, de fato, nos possibilita entrar em contato com as diferentes concepções formuladas pelos variados grupos existentes em nossa sociedade. Encontramos sites sérios, que têm por objetivo a propagação educacinal de grupos tais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Movimento da Via campesina, do Movimento Negro Unificado, além de movimentos contra a homofobia e pelos direitos sociais das mulheres.

O professor e Dr. Bruno Lima Rocha da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) fala do uso da internet pelos movimentos sociais e faz uma breve análise do uso da rede pelos movimentos:

Os movimentos sociais contemporâneos surgem junto com a internet. A questão da internet não é de ela ser utilizada, ela é constitutiva das novas redes dos movimentos populares. […] As mídias sindicais poderiam contar com a participação da categoria. Fazer com que seus trabalhadores e filiados sejam os primeiros que alimentem aquela página, não um grupo de profissionais apenas.[2]

Interessante notar no argumento do Dr. Rocha é que, em tais sites, existe realmente a possibilidade de uma participação social, coletiva, de todo o movimento e de seus militantes. Não encontramos, na internet, um corporativismo elitista tal como o fazemos nos meios midiáticos.

 

Conclusão 

A internet, pela sua interatividade, tende a ser cada vez mais o meio de comunicação do futuro. A televisão, ao contrário da rede de computadores, pode ser facilmente antidemocrática, nos seus processos noticiosos. De modo que, todos os movimentos sociais, sérios e necessários, devem estar fazendo bom uso de tal ferramenta de luta.

O acesso à rede de computadores global está cada vez mais amplo, principalmente pela enorme contribuição das LAN-Houses e programas de inclusão digital em todo o mundo, tornando possível que a internet chegue às classes populares. Considerando tais fatos, podemos concluir que nos próximos anos ou décadas, devido ao avanço das relações de comunicação, as ideologias não-hegemônicas poderão ter ou aperfeiçoar um amplo espaço de irradiação e absorção sociais, podendo isto contribuir para o importante avanço das lutas e melhoramentos sociais, que são os objetivos de tais grupos ou movimentos.

Por sua vez, a Sociologia e as demais Ciências Sociais, poderão contemplar mais esta nova contextualização das lutas ou transformações sociais em andamento. O uso da internet pelos movimentos possivelmente será um tema amplamente pesquisado e analisado pelas próximas gerações de terorias sociológicas.


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