Sobre os Instintos Humanos

25 de abril de 2017

Este artigo está disponível em áudio e

pode ser lido automaticamente.


Parece não ser papel da Sociologia fazer julgamentos de valor a respeito dos princípios e crenças que norteiam a vida do ser humano. Como deve acontecer em qualquer outra ciência, os sociólogos procuram manter a imparcialidade nas análises. Eles evitam tecer comentários filosóficos ou axiológicos sobre temas morais. O papel da ciência parece ser apenas ver e narrar, nunca mudar. As mudanças vêm a partir da concepção de que, após uma conscientização dos fatos, sucede-se uma ação necessária pelos indivíduos, no sentido de mudanças.

Pintura rupestre indicando comportamento sexual

Pintura rupestre indicando comportamento sexual

Portanto, a nossa análise a respeito dos instintos humanos, ou da natureza humana, conforme a fazemos neste pequeno artigo, não deve ser recebida como um material puramente sociológico. Não cremos que seja, todavia, uma análise puramente filosófica, pois nos valemos das percepções da Sociologia para as induções e inferências axiológicas.  Não obstante, reconhecemos que as conclusões interpretativas aqui apresentadas podem ser diferentemente abordadas por outros analistas. Este texto está aberto à discussão e à polêmica.

Inicialmente, devemos ressaltar e até mesmo endossar a forma de análise escolhida já na Idade Média pelo pensador considerado o pai da Ciência Política, Nicolau Maquiavel, a saber, que os fatos sobre o ser humano devem ser apresentados tais como são, e não como imaginamos ou desejamos que deveriam ser. Por mais que os fatos sobre os instintos humanos nos pareçam “deprimentes” ou que nos “desiludam”, estarmos cônscios de tais verdades nos possibilita evitar as armadilhas dos ilusionismos da vida, tão comuns na existência. Mesmo uma vida sem ilusionismos pode nos apresentar grãos de felicidade, fato que apresentaremos no final deste texto.

Bem, voltemos às análises do pai da Ciência Política. Maquiavel afirmou no seu livro clássico, O Príncipe, a sua crença no fato de todos os seres humanos serem maus. Embora nós compreendamos o ponto de vista do escritor, desejamos complementar esta abordagem filosófica. O que nós observamos é que o ser humano não pode ser taxado exatamente de mau. A maldade possui uma noção cultural. O que é o mal em determinado meio pode não o ser em outra. Na verdade, o ser humano é apenas natural, igual aos animais das florestas. A ideia de maldade surge quando nós, observadores, não aceitando os fatos da natureza, desejamos impregnar no bom e velho instinto humano traços culturais, isto é, noções do que é certo e errado, bom e mau.

As culturas foram todas criadas pelo ser humano, evidentemente. A grande diversidade cultural nos possibilita visualizar os traços culturais que absorveram melhor ou pior os instintos natos do ser humano. No entanto, notamos que todas as culturas existentes acabam por, de algum modo, coibir o animal localizado dentro de todo corpo humano.

As análises sobre a natureza humana formuladas por toda a História, das quais Maquiavel apenas participa em parte,  cometem o já comentado equívoco filosófico de definir como mal ou bem determinado comportamento instintivo, como se isso ou aquilo fosse naturalmente bom ou mau. Hobbes, por exemplo, em seu livro Leviatã, fala a respeito da importância da existência do Estado qual instrumento de controle das potenciais maldades humanas. O Estado seria um monstro, um leviatã, que controla a todos, para que estes não se matem entre si. Augusto Comte e Émile Dürkheim, do Positivismo, já comentam a importância das instituições e regras sociais quais fatores mantenedores da ordem na sociedade, para um bom e equilibrado funcionamento da mesma. De diferentes formas estes pensadores passam a mesma ideia: que o ser humano é mau e que precisa ser controlado, domesticado.

A noção apresentada aqui, embora seja da mesma linha de pensamento desses pensadores, diversifica exatamente no ponto crucial da questão do uso da palavra “maldade”. Não cremos nessa ideia de maldade ou bondade em ações puramente instintivas. A noção de princípios ou leis faz parte de nossa ímpar capacidade de abstração, de raciocínio. Os instintos são carnais, físicos.

Vejamos, por exemplo, a questão dos sentimentos de atração entre os seres humanos, tais como paixão, amor, etc. As pessoas costumam “enfeitar” bastante o processo dos relacionamentos sexuais entre os humanos. No entanto, observando atentamente, não vemos nada além de uma troca mútua (e quando é) de interesses. O que se deseja, na verdade, é a satisfação dos impulsos sexuais instintivos. A paixão nesses moldes, portanto, seria uma atração sexual prolongada. E o amor, uma paixão que se prolonga. Calma! não estamos afirmando que não existam sentimentos entre as pessoas. O que estamos afirmando é outra coisa: mais completa do que apenas a afirmação de que o ser humano é apenas bom ou apenas mau. Lembre-se: o ser humano não é nem um nem outro — é um ser natural, um animal que às vezes raciocina.

Queira notar que até mesmo entre as pessoas que se dizem amar, ou que até mesmo acreditam no amor, existe a traição mental. Traição mental? Sim, a atração por outras pessoas. Mas calma! Isso não quer dizer que a sua esposa vá ter relações sexuais com o primeiro sex simble que aparecer na novela das 8. Afirmamos apenas que os instintos são inevitáveis. Diferença grande há mesmo (e nisso você deve ficar feliz com sua esposa) é entre os nossos pensamentos e ações. Sim, estamos falando agora da domesticação do animal. Imagine agora se você fosse agarrar toda menininha de 15 ou 16 anos que ver de biquíni na praia?! Cadeia na certa! — É verdade… O Leviatã é necessário…

O animal humano se manifesta até mesmo bem antes de qualquer contato sexual mais concreto. Dizem que para uma pessoa ter atração por outra é necessário, antes mesmo de qualquer outra coisa, rolar a “química”, “surgir um clima” ou “a pessoa ter um bom papo”. Ora, isso até que pode ser verdade. Mas o que o animal humano nos garante é uma coisa: é necessário ter um atrativo carnal, físico. Duvida-se muito que os fatores apenas emocionais sejam os únicos determinantes no surgimento da “química” entre duas pessoas. Talvez seja por isso que algumas pessoas são escolhidas para serem nossas amigas e outras nossos atrativos sexuais. Talvez aquelas que não nos atraem carnalmente fiquem menos frustradas possuindo a imaginação de que seríamos apenas bons amigos. Isso chega até mesmo a ser engraçado.

Quando afirmamos que os seres humanos agem por interesse talvez a ideia seja um pouco mal interpretada. Isso ocorre porque possuímos uma imagem negativa a respeito da palavra “interesse”. Passa-nos a ideia de, sendo uma pessoa interesseira, ela logo irá querer apenas aproveitar-se das demais. Não é bem isso que estamos a afirmar.

O ser humano, sendo um animal mesmo, naturalmente possui algumas necessidades. São as necessidades que dão ímpeto aos interesses. Isso é natural, físico, de modo que não pode jamais ser chamado de mal. Seria falta de maturidade, por exemplo, desejar mal a alguém pelo fato da pessoa ter preferido ter relações sexuais com alguém que não fosse você. Além do fato de existirem muitas pessoas no mundo para a satisfação dos seus desejos sexuais, deve-se ter em mente que a pessoa que não gostou de você possui instintos sexuais que estão além do controle dela mesma, por isso que escolheu outro alguém. A frustração neste caso se dá pelo simples fato de não ter sido você. Mas isto pouco importa, num mundo aonde nada importa. Tendo em mente essas noções do pouco caso, sofre-se menos. Quem crê menos, sofre menos.

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Mensagem para o ano 2017

15 de março de 2017

Mensagem para o ano 2017 aos leitores deste Website

e aos seguidores da conta associada, no site Facebook.


Por Onde Tenho Andado na Minha Vida

22 de junho de 2016

Alguns dos lugares que já tive a oportunidade de conhecer até o momento na minha vida.

Ano: 2016

 


Mensagem para o ano 2016

22 de junho de 2016

Mensagem para o ano 2015 aos leitores deste Website

e aos seguidores da conta associada, no site Facebook.


Existências Paralelas

31 de janeiro de 2016

Há uma possibilidade da realidade existencial ser um continuum de realidades paralelas, que se finalizam e se interceptam ininterruptamente. Não poderíamos experimentar a morte definitiva, neste caso,  mas a experimentaríamos repetidamente,  a todo o tempo,  e em todas as possibilidades,  sem sabermos. A vida como conhecemos,  neste momento,  são simples escapatórias de realidades em que não escapamos.

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A eternidade é um agora sem fim...

A morte seria a finalização de uma determinada realidade.  Enquanto o fato de estarmos vivos,  a escapatória ou a continuidade de uma outra realidade,  sempre paralela, mas não interceptada diretamente…

Quando morre alguém e tomamos conhecimento disso,  é que a realidade daquela pessoa foi interceptada por nossa realidade paralela de escapatória.  Talvez as pessoas saibam de nossa morte,  num outro continuum.

De um modo ou de outro,  quando a realidade paralela da finalização chegar,  de forma intercalada,  e não houver escapatória, finalizar-se-á esta sensação enganosa de continuidade ininterrupta da realidade.

Outras realidades paralelas devem dar continuidade.  Mas nós já teremos sido definitivamente interceptados pela morte.  Isto ninguém sabe… Mas talvez voltemos à realidade da não-existência,  ou inconsciência,  típica de antes do nascimento.

Marcondes Lucena


Morre Raymond Franz… Florescem Testemunhas de Jeová…

26 de janeiro de 2016

No dia 2 de junho de 2010 veio a falecer Raymond Franz, depois de passar dois dias no estado de coma, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC). Franz morreu aos 88 anos. Ele passou boa parte dessa longa vida dedicado ao trabalho de propagação da obra de evangelização das Testemunhas de Jeová.  Chegou ao cargo máximo na Organização,  membro do Corpo Governante, que é um grupo de superintendentes (como são chamados os “pastores”  entre elas) que lideram mundialmente as Testemunhas.

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Raymond Franz

Depois de servir por muito tempo como Missionário das Testemunhas de Jeová,  Raymond Franz retornou aos Estados Unidos,  onde foi designado para participar na elaboração de uma enciclopédia bíblica para a Organização.  O resultado deste projeto foi publicado na época com o título “Ajuda ao Entendimento da Bíblia”, de 1969. Em 1971 Raymond Franz foi convidado a fazer parte do Corpo Governante.

Depois de participar por 9 anos deste grupo,  Franz passa a discordar pessoalmente do andamento organizacional e em 1980 entrega o seu cargo como membro do grupo colegiado.  Ele deixou a Sede Mundial das Testemunhas de Jeová e mudou-se com a sua esposa,  Cynthia, para a cidade de Gadsden,  no Estado do Alabama.  Em 31 de dezembro de 1981, Raymond e Cynthia Franz foram desassociados (excomungados) por uma comissão de superintendentes locais.  Com o tempo,  Raymond Franz tornou-se o maior crítico da história das Testemunhas de Jeová.  A leitura ou a posse de suas publicações é considerada pela Organização como apostasia,  e pode levar qualquer Testemunha de Jeová à pena de desassociação. Raymond Franz escreveu duas obras: “Crise de Consciência” (1983) e “Em Busca da Liberdade Cristã” (1991). Em 1988 o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová lançou uma nova enciclopédia da Bíblia,  com o título “Estudo Perspicaz das Escrituras” . Esta obra é uma reedição da enciclopédia anterior, e tornou-se a publicação mais erudita da história das Testemunhas de Jeová até a atualidade.

Embora as críticas de Raymond Franz tenham provocado bastante “dor de cabeça”  para as Testemunhas de Jeová e sua liderança,  o livro oficial que conta a história da Organização,  “Testemunhas de Jeová –  Proclamadores do Reino de Deus”, não faz qualquer menção a este ex-membro do Corpo Governante.

As Testemunhas de Jeová estão se modernizando gradualmente. Aos poucos, vêm abandonando as interpretações polêmicas das Escrituras, devido algumas incoerências incontestáveis.  Calcula-se que existam bem mais de 10 milhões de pessoas associadas a esta religião na atualidade. Franz morreu…  Mas quanto às Testemunhas, parece que estão florescendo cada vez mais…

Marcondes Lucena


Adeus ao Inesquecível Han Solo

8 de janeiro de 2016

A morte de Han Solo (Harrison Ford) em O Despertar da Força deixou muitos fãs emocionados.  Mas isto,  na verdade,  não era algo inesperado.

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É do estilo do roteirista J. J.  Abrams fazer uma espécie de homenagem aos personagens antigos das franquias (cria um elo com o passado e agrada aos fãs veteranos) enquanto acrescenta novos elementos,  que garantem um desenrolar para futuros episódios.

Quem conhece bem a Saga Star Wars,  e seus bastidores,  sabe que o personagem Han Solo,  por mais querido e emblemático que fosse,  já tinha “sofrido” uma ameaça de desaparecimento desde o episódio V,  O Império Contra-ataca.  Por questões contratuais,  havia incerteza sobre a sua participação no próximo episódio,  VI,  O Retorno do Jedi. A solução para a dúvida? Solo foi congelado em Carbonita,  sob as ordens de Vader.

O novo personagem Finn,  de O Despertar da Força,  será seu provável “substituto”.  Ele possui as mesmas características de Han Solo: é um aventureiro (um desertor do exército); não possui a Força; é crucial em muitos momentos; possui o viés humorístico e,  por fim,  parece ter uma queda pela protagonista (que possui a Força,  a Rey).

Star Wars ainda tem muito o que apresentar.  A Força é poderosa nesta mais bem-sucedida franquia da História do Cinema.

Marcondes Lucena