Sobre os Instintos Humanos

Este artigo está disponível em áudio e

pode ser lido automaticamente.


Parece não ser papel da Sociologia fazer julgamentos de valor a respeito dos princípios e crenças que norteiam a vida do ser humano. Como deve acontecer em qualquer outra ciência, os sociólogos procuram manter a imparcialidade nas análises. Eles evitam tecer comentários filosóficos ou axiológicos sobre temas morais. O papel da ciência parece ser apenas ver e narrar, nunca mudar. As mudanças vêm a partir da concepção de que, após uma conscientização dos fatos, sucede-se uma ação necessária pelos indivíduos, no sentido de mudanças.

Pintura rupestre indicando comportamento sexual

Pintura rupestre indicando comportamento sexual

Portanto, a nossa análise a respeito dos instintos humanos, ou da natureza humana, conforme a fazemos neste pequeno artigo, não deve ser recebida como um material puramente sociológico. Não cremos que seja, todavia, uma análise puramente filosófica, pois nos valemos das percepções da Sociologia para as induções e inferências axiológicas.  Não obstante, reconhecemos que as conclusões interpretativas aqui apresentadas podem ser diferentemente abordadas por outros analistas. Este texto está aberto à discussão e à polêmica.

Inicialmente, devemos ressaltar e até mesmo endossar a forma de análise escolhida já na Idade Média pelo pensador considerado o pai da Ciência Política, Nicolau Maquiavel, a saber, que os fatos sobre o ser humano devem ser apresentados tais como são, e não como imaginamos ou desejamos que deveriam ser. Por mais que os fatos sobre os instintos humanos nos pareçam “deprimentes” ou que nos “desiludam”, estarmos cônscios de tais verdades nos possibilita evitar as armadilhas dos ilusionismos da vida, tão comuns na existência. Mesmo uma vida sem ilusionismos pode nos apresentar grãos de felicidade, fato que apresentaremos no final deste texto.

Bem, voltemos às análises do pai da Ciência Política. Maquiavel afirmou no seu livro clássico, O Príncipe, a sua crença no fato de todos os seres humanos serem maus. Embora nós compreendamos o ponto de vista do escritor, desejamos complementar esta abordagem filosófica. O que nós observamos é que o ser humano não pode ser taxado exatamente de mau. A maldade possui uma noção cultural. O que é o mal em determinado meio pode não o ser em outra. Na verdade, o ser humano é apenas natural, igual aos animais das florestas. A ideia de maldade surge quando nós, observadores, não aceitando os fatos da natureza, desejamos impregnar no bom e velho instinto humano traços culturais, isto é, noções do que é certo e errado, bom e mau.

As culturas foram todas criadas pelo ser humano, evidentemente. A grande diversidade cultural nos possibilita visualizar os traços culturais que absorveram melhor ou pior os instintos natos do ser humano. No entanto, notamos que todas as culturas existentes acabam por, de algum modo, coibir o animal localizado dentro de todo corpo humano.

As análises sobre a natureza humana formuladas por toda a História, das quais Maquiavel apenas participa em parte,  cometem o já comentado equívoco filosófico de definir como mal ou bem determinado comportamento instintivo, como se isso ou aquilo fosse naturalmente bom ou mau. Hobbes, por exemplo, em seu livro Leviatã, fala a respeito da importância da existência do Estado qual instrumento de controle das potenciais maldades humanas. O Estado seria um monstro, um leviatã, que controla a todos, para que estes não se matem entre si. Augusto Comte e Émile Dürkheim, do Positivismo, já comentam a importância das instituições e regras sociais quais fatores mantenedores da ordem na sociedade, para um bom e equilibrado funcionamento da mesma. De diferentes formas estes pensadores passam a mesma ideia: que o ser humano é mau e que precisa ser controlado, domesticado.

A noção apresentada aqui, embora seja da mesma linha de pensamento desses pensadores, diversifica exatamente no ponto crucial da questão do uso da palavra “maldade”. Não cremos nessa ideia de maldade ou bondade em ações puramente instintivas. A noção de princípios ou leis faz parte de nossa ímpar capacidade de abstração, de raciocínio. Os instintos são carnais, físicos.

Vejamos, por exemplo, a questão dos sentimentos de atração entre os seres humanos, tais como paixão, amor, etc. As pessoas costumam “enfeitar” bastante o processo dos relacionamentos sexuais entre os humanos. No entanto, observando atentamente, não vemos nada além de uma troca mútua (e quando é) de interesses. O que se deseja, na verdade, é a satisfação dos impulsos sexuais instintivos. A paixão nesses moldes, portanto, seria uma atração sexual prolongada. E o amor, uma paixão que se prolonga. Calma! não estamos afirmando que não existam sentimentos entre as pessoas. O que estamos afirmando é outra coisa: mais completa do que apenas a afirmação de que o ser humano é apenas bom ou apenas mau. Lembre-se: o ser humano não é nem um nem outro — é um ser natural, um animal que às vezes raciocina.

Queira notar que até mesmo entre as pessoas que se dizem amar, ou que até mesmo acreditam no amor, existe a traição mental. Traição mental? Sim, a atração por outras pessoas. Mas calma! Isso não quer dizer que a sua esposa vá ter relações sexuais com o primeiro sex simble que aparecer na novela das 8. Afirmamos apenas que os instintos são inevitáveis. Diferença grande há mesmo (e nisso você deve ficar feliz com sua esposa) é entre os nossos pensamentos e ações. Sim, estamos falando agora da domesticação do animal. Imagine agora se você fosse agarrar toda menininha de 15 ou 16 anos que ver de biquíni na praia?! Cadeia na certa! — É verdade… O Leviatã é necessário…

O animal humano se manifesta até mesmo bem antes de qualquer contato sexual mais concreto. Dizem que para uma pessoa ter atração por outra é necessário, antes mesmo de qualquer outra coisa, rolar a “química”, “surgir um clima” ou “a pessoa ter um bom papo”. Ora, isso até que pode ser verdade. Mas o que o animal humano nos garante é uma coisa: é necessário ter um atrativo carnal, físico. Duvida-se muito que os fatores apenas emocionais sejam os únicos determinantes no surgimento da “química” entre duas pessoas. Talvez seja por isso que algumas pessoas são escolhidas para serem nossas amigas e outras nossos atrativos sexuais. Talvez aquelas que não nos atraem carnalmente fiquem menos frustradas possuindo a imaginação de que seríamos apenas bons amigos. Isso chega até mesmo a ser engraçado.

Quando afirmamos que os seres humanos agem por interesse talvez a ideia seja um pouco mal interpretada. Isso ocorre porque possuímos uma imagem negativa a respeito da palavra “interesse”. Passa-nos a ideia de, sendo uma pessoa interesseira, ela logo irá querer apenas aproveitar-se das demais. Não é bem isso que estamos a afirmar.

O ser humano, sendo um animal mesmo, naturalmente possui algumas necessidades. São as necessidades que dão ímpeto aos interesses. Isso é natural, físico, de modo que não pode jamais ser chamado de mal. Seria falta de maturidade, por exemplo, desejar mal a alguém pelo fato da pessoa ter preferido ter relações sexuais com alguém que não fosse você. Além do fato de existirem muitas pessoas no mundo para a satisfação dos seus desejos sexuais, deve-se ter em mente que a pessoa que não gostou de você possui instintos sexuais que estão além do controle dela mesma, por isso que escolheu outro alguém. A frustração neste caso se dá pelo simples fato de não ter sido você. Mas isto pouco importa, num mundo aonde nada importa. Tendo em mente essas noções do pouco caso, sofre-se menos. Quem crê menos, sofre menos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: