DA SÉRIE – OS MISTÉRIOS DA MENTE – Relacionamentos a dois, inseguranças e outras loucuras

PARTE 1

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O início da adolescência é o marco de uma nova era na vida de qualquer ser humano. A partir daí, nunca mais seremos os mesmos… Embora digam os especialistas que a nossa personalidade possui traços que provém desde a época da infância – realmente, não podemos negar – é a partir da puberdade que se inicia a verdadeira face do que será cada um de nós… Sim… e é aí onde surge, pela primeira vez, a ideia real de amor – é aí onde experimentamos a realidade dos relacionamentos cara a cara… Até aí só conhecíamos o amor romântico ao vermos os contos de fada da Disney ou algo parecido…

barraÉ da adolescência em diante que surgem as primeiras decepções e são elas mesmas que vão nos ensinando como, de fato, o mundo e as pessoas são – talvez não exista aquele príncipe encantado das fábulas… Ou existe?

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Mas vamos falar de assuntos reais… Relacionamento a dois. Inseguranças. Pensamentos do lado sombrio da mente… Você está a fim?

Pra começar, eu gostaria de esclarecer que grande parte das minhas ideias realmente são pensamentos pessoais. São percepções particulares. De modo que eu jamais intencionei ou irei intencionar que essas ideias sejam encaradas ao pé da letra ou como representando verdades absolutas. Eu possuo o Transtorno de Personalidade Borderline (que é grave) e, diante disso, preciso afirmar que, embora pessoas com esse Transtorno desfrutem de uma infernal capacidade de captação das profundidades da mente, por vezes esta capacidade pode sofrer distorções grotescas provenientes desta própria loucura que é ter esta capacidade. Sim, são pessoas muito sofríveis, pois vivem no mundo das ideias… Portanto cabe ao leitor e ao pensador que terá acesso a tais ideias analisá-las e julgá-las por si mesmo.

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Por que as pessoas querem amar? O que nos move a isso? Já se perguntou? Será carência? Será frescura? Será puro idealismo “romancesco”? Já se perguntou sobre isto?

Muitas pessoas – mas muitas mesmo! – deixaram de acreditar no amor por causa do que elas já passaram… Elas possuíam uma ideia no amor e depois descobriram que os outros, as outras pessoas, não praticavam aquilo que ela acreditava. As pessoas reais nunca conseguem corresponder totalmente às nossas expectativas… Será que isto prova que o amor não existe de modo algum?

Alguns indivíduos – aliás, alguns não, muitos! – deixaram de acreditar no amor por causa da traição. Será que eles deixaram mesmo de acreditar no amor ou simplesmente deixaram de acreditar naquela ideia que criaram a respeito das pessoas? Isto é muito sério, pois nem sempre quando nos decepcionamos com algo, isto significa que a culpa é deste “algo”. Talvez a gente tenha idealizado demais… Eu que o diga…

Portanto, a grande questão é: será que o amor pode acontecer de uma forma realista? E se pode, por quanto tempo? E se durar, ao que ele pode resistir? E se resistir, como ele é de verdade?

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O amor nada mais é do que um efeito colateral da evolução ou criação (depende do que você acredita) do nosso cérebro. Sim, o órgão evoluiu e produziu o que nós chamamos de mente, consciência – que nada mais é do que a “alma do cérebro”. Mas como assim “efeito colateral”?

Ora, o ser humano é um bixo. A parte física é igualzinha a um animal, como um cachorro ou uma vaca… De modo que, sendo iguais física e naturalmente, estamos condenados e condicionados a sentir as mesmas sensações que os demais seres vivos. Dito de outro modo, nós estamos condicionados a sentir atração por quem quer que seja que nos atraia (a frase pareceu redundante, mas é isso mesmo!). Não importa se você assuma ou negue isto – você não pode controlar o seu tesão, o seu objeto de desejo. Isto faz parte da natureza, do nosso instinto.

Aí você pergunta: “E daí?” E eu o respondo: A mesma coisa é o amor. Vou explicar o porquê.

Assim como não podemos fugir da realidade dos nossos desejos mais intensos, também não podemos fugir da realidade do desenvolvimento do nosso cérebro. Seria parecido ou comparável a visualizar ou imaginar uma abelha recusando-se a participar de uma colmeia, uma formiga de um formigueiro ou, quem sabe, um pássaro migratório do seu bando… Ter sentimento faz parte natural de nossa espécie. Isto é inevitável e não pode ser negado. Se a pessoa não suprir, de algum modo, o que lhe é designado por nossa natureza, ela irá sofrer…

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Mas voltando… Se por um lado os sentimentos são uma realidade, o instinto também é, como já vimos… Você está agora conseguindo entender a guerra que existe dentro de nós, no meu modo de apresentá-la? O amor se encontra – “tadinho” – bem no meio desse tiroteio louco… A natureza disse que temos sentimentos e também disse que talvez queiramos sentir atração por quem quer que seja… É foda! – desculpem a expressão…

A nossa mente nos impulsiona à carência, à necessidade de afeto… Mas ao mesmo tempo, o nosso corpo, os hormônios, nos impulsiona à tara! E agora?

A solução perfeita seria se nos atraíssemos selvagemente a alguém que também suprisse as nossas necessidades afetivas… Isto existe? – Mas é claro que sim! E como existe!

Mas daí já surgem outros demônios… A insegurança. Os desentendimentos. O tempo. O passado. Vejamos isto…

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O que é a insegurança? É a certeza pessoal, convicta, baseada na sua observação das coisas como realmente são, de que você não é bom o bastante e que não pode ter o mundo em suas mãos. É a consciência de que pode perder. É ter em mente que, com certeza, o mundo não é seu e que ele não gira ao seu redor… Não é mesmo?

Mesmo sabendo que a pessoa que você ama pode realmente o amar – que ela realmente o deseja – ainda assim você sabe que outras pessoas a desejam e que ela (por instinto) também as deseja…

(…)

Se você pensar muito nisso ficará louco que nem eu…

(…)

Sim… e sabe por que você tem certeza que ela deseja outras pessoas (no sentido de atração, fetiche)? Por dois motivos: Primeiro, você também deseja e; segundo, ela já gostou de outras pessoas e as desejou, antes de conhecê-lo. Até mesmo fez sexo com elas…

Isso explica porque grande parte das pessoas sente ciúmes de quem já teve um caso ou já fez sexo com quem ama atualmente…

A insegurança é o que mata… E o pior é porque você sente isto na própria pele – ela é real pra você!

Mas, daí, o ponto de equilíbrio é: se você já gostou de alguém, isto não significa que ainda gosta ou que trocaria quem está amando atualmente pelo passado. Grande parte das pessoas já gostou de várias pessoas. São fases. O que importa é a atualidade. O real. O resto são apenas pensamentos do lado sombrio da mente…

Outro ponto de equilíbrio: mesmo você sentindo atração por vários corpos, não necessariamente se entregará a isto… Nem todo mundo faz isto, embora muitos façam… Isto explica o porquê de muitas pessoas que eram ou são promíscuas sexualmente não acreditarem ou demorarem a acreditar em algo mais duradouro e profundo: elas imaginam, projetam mentalmente, que todas as pessoas sejam iguais. Mas nós sabemos que as pessoas reagem de formas diferentes aos impulsos…

Desenvolver fé, segurança e confiança em algo duradouro demora muito e, se for atrapalhado por ações reais da outra pessoa, se ela realmente não transmitir confiança, que deseja ou que sente algo mais profundo e afetivo – algo que ultrapasse o puro instinto animal – dificilmente a insegurança passará… Parece que construir algo a dois, de fato, exija muito investimento dos dois lados… Ambos devem, por um lado, querer se aventurar nisso tudo e por outro, fazer valer o desejo de algo que ultrapasse o mero vazio do sexo casual. É um preço a se pegar…

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O que leva alguém a trair quem ama não pode ser atribuído somente à questão instintiva. Embora o desejo sexual, a vontade de satisfazer aquele fetiche despertado por aquela pessoa, seja praticamente a chama que incendeia o instinto animal da traição, muitas outras razões estão envolvidas.

Eu acredito que apenas um motivo supere a atração sexual propriamente dita na questão da traição: a certeza de que o parceiro também trairia se estivesse na mesma situação. É o que eu vejo como verdade… A pessoa pensa pra si mesma: “Se eu provavelmente seria traído, por que não fazer então?…” E vai lá e faz… Depois talvez fique com a consciência pesada, pois fez algo real usando como justificativa uma motivação imaginada…

Agora, se ela não contar a verdade para o parceiro ou parceira, se tornará uma pessoa sem motivação verdadeira para o relacionamento… Ela sabe que o seu relacionamento possui algo de falso, de irreal, pois a outra pessoa que a ama, ama na verdade a imagem que ela transparece – uma imagem de alguém que não trai… É inevitável que ela se sinta vivendo uma mentira… Não é pra menos que as pessoas sinceras, ao traírem, ficam diferentes…

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Por que as pessoas se apegam umas às outras? Por que elas carecem de algo que vai além do desejo sexual? Em 2012 eu entrei num transe hipnótico, momentâneo, durante a madrugada e escrevi o seguinte texto sobre esta questão:

“Olhando fixamente aqui a rua, a pista em frente à minha casa, por um minuto entro em transe hipnótico, observando, como num trailer de um filme, todos meus sentimentos e emoções, vividos e demonstrados já a tantas pessoas durante a minha existência…

Me pergunto sinceramente se sei, diante de toda a minha inteligência e racionalidade (ou de minha ignorância e irracionalidade), o que faz um ser humano se apegar a outro…

Por muito e muito tempo em minha vida, imaginei que fosse apenas a atração física que explicasse tudo isso… Os olhos se atraem apenas pela beleza exterior? Depois passei a perceber que, embora a atração pela parte física conte muito, não determina tudo. Portanto, abandonei esta teoria… Passei a entender que trata-se, na verdade, de uma atração física por um lado, mas por outro, uma porção de encanto. As pessoas possuem algo nelas que atrai os outros para si… Isso é o que me embatuca!

O que será que causa aquela nossa “certeza” de que “fulana” é a pessoa certa? O que será que ela tem que nos atrai?… Formulei uma teoria psicológica, racional, mas nem mesmo eu sei se ela é capaz de explicar… Eu supunha que aquela pessoa a quem nos apegamos possui alguns traços de personalidade que suprem as nossas necessidades psicológicas originadas durante a infância. Por exemplo: se a pessoa foi alguém que não recebeu muito carinho e atenção enquanto criança, ao encontrar alguém carinhoso e atencioso poderá facilmente atrair-se; ou se a pessoa sempre desejou passar por aventuras enquanto criança, mas não lhe era permitido, poderá atrair-se a alguém com espírito aventureiro, e por aí vai… Trata-se de uma teoria interessante: atração como sinônimo de superação de necessidades… mas não sei se isso é tudo…

Talvez os sentimentos humanos sejam simplesmente inexplicáveis… Não inexplicáveis no sentido de que não existam teorias, como a que demonstrei acima. Mas inexplicáveis no sentido de que todo o nosso conhecimento e toda a nossa ciência tornam-se não muito “alcançáveis” a eles, por assim dizer, quando estamos diante desses mesmos sentimentos… Meus colegas cientistas que lerem este texto e que já tiverem passado por paixões arrebatadoras ou amores intensos saberão do que estou falando…

Eu acredito, muitas vezes, que nós seres humanos vivemos as coisas irracionais para tentar nos esconder ou fugir, nem que seja por um pouco, daquilo que a racionalidade nos obriga a saber… Por outras palavras: queremos sonhar, pois a realidade é muito chata… Embora saibamos que vamos morrer (somos materiais) e que os nossos amores também passarão (aqueles que amamos também são materiais), este conhecimento racional é raramente pensado – melhor é a pessoa ir vivendo, com uma leve sensação de eternidade do que é bom… A respeito daquilo que sabemos que um dia terá fim, mas que amamos de verdade, precisamos e costumamos vivê-lo ou tê-lo como se fosse pra sempre…

Mas vamos ter foco!… Sabemos que jamais poderemos escolher por quem iremos nos apaixonar… Por sabermos disto, não podemos julgar as pessoas pelos seus sentimentos, caso elas não nos amem… Quem dera pudéssemos ter uma tecla ‘ligar/desligar amor’, ou ‘amar/não-amar determinada pessoa’… ninguém jamais sofreria, pois sempre haveria correspondência de sentimentos…

O que eu sei é que precisamos valorizar melhor as coisas… Muitas vezes abandonamos coisas importantes por bobagens… Às vezes nos atraímos por certa pessoa e sabemos que ela também nutre sentimentos… por que então não ficamos juntos? Muitas vezes por vaidades e dúvidas bobas… Algumas vezes até mesmo por orgulho ou medo… Se viver em si já é um risco, por que arriscar gostar de quem nos gosta não seria?…

Amar parece ser uma “gostar intensamente” que se prolonga no tempo… O amor é um sentimento muito útil… nos torna pessoas melhores… nos traz confiança e segurança, e nos dá foco na vida… Com equilíbrio e moderação, o amor, quando recíproco, dá até mesmo sentido à vida de algumas pessoas. A música “Bring me to life”, do Evanescence, aponta por este lado… Demonstra que, em alguns casos, pessoas que levavam vidas vazias, fúteis, como se numa “existência de mentirinha”, ao descobrir um amor, alguém que se interessava por elas, passaram a viver, como se fossem acordadas de um sonho… Vejam a letra desta música…

Enfim, isso tudo foi o que eu vi, visualizei, percebi… num único, minúsculo e rápido minuto de transe hipnótico, olhando a pista em frente à minha casa…”

As ideias apresentadas nesta citação acima continuam sendo apoiadas por mim atualmente.
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FINAL DA PARTE 1

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