“Visão Mental” Para Borderlines

Gentis por um lado, explosivos por outro — estamos falando dos portadores do Transtorno de Personalidade Borderline. Com uma notável capacidade de percepção e reduzido índice de empatia [1], os “borders” tornam-se facilmente indivíduos manipuladores em seus relacionamentos. A sua intensa instabilidade emocional é o principal motivo dos seus relacionamentos fulminantes — dificilmente alguém que passe por um borderline será encarado como um meio-termo entre “bom” e “mau” — ou você é “ótimo” ou você é “péssimo”.

Amy Winehouse: Uma típica Borderline

Amy Winehouse: Uma típica Borderline

Quem possui a Síndrome Borderline? Bem, eles são pessoas como eu — ou você… O que os diferencia é o modo como sentem o mundo e o outro. Eles vivem de uma forma intensa, numa busca constante pelo preenchimento de um vazio existencial sem fim. Procuram no outro uma forma de preencher esse vazio — até descobrirem que o outro não é completamente apto a cumprir tal missão. Os borders vivem numa espécie de limite ou fronteira entre o real e o imaginado, entre o que se sente e o que se toca.

No seu livro O Poder da Visão Mental, o psiquiatra Dr. Daniel J. Siegel aponta um excelente caminho de tratamento para muitos males da alma. Ele faz uma exploração impressionante de como os processos mentais, neurológicos, podem ser reconhecidos e utilizados, racionalmente, na prática psicoterápica — proporcioando uma melhora na qualidade de vida das pessoas.

É mesmo possível a utilização de técnicas psicológicas para a melhoria de problemas psiquiátricos? Os estudos apontam que sim. Na sua única menção ao Transtorno de Personalidade Borderline, o Dr. Siegel nos informa o seguinte: “(…) Não encontrei pesquisas publicadas comparáveis sobre o uso da atenção plena para quem tem transtornos bipolares. No entanto, tinha motivos para ser cautelosamente otimista. Estudos mostraram que a atenção plena pode ser uma parte potente do tratamento bem-sucedido para diversas doenças, inclusive a angústia, o vício em drogas (tanto tratamento como prevenção de recaída) e transtornos de personalidade limítrofe, cuja marca é a desregulagem crônica.” [2] Como a “atenção plena” pode ser usada para pacientes limítrofes (borderlines)?

De acordo com os conceitos apresentados em seu livro, o Dr. Siegel demonstra que um modo de vida saudável, no que diz respeito à mente, está relacionado diretamente ao conceito de integração — é o que ele chama de “triangulo do bem-estar”. Nesta conceituação, os nossos relacionamentos, a nossa mente e o cérebro precisam estar interconectados, num processo indivisível de cooperação e troca de energia e informação. A visão mental é o processo que permite às pessoas, conscientemente, monitorar essa troca de energia e informação e modificar esse fluxo por meio da intenção. Por meio do conceito de “neuroplasticidade”, informa-se a possibilidade da criação de novos padrões de funcionamento.

Os indivíduos borderlines são tratados, na maioria dos casos, por meio da prática medicamentosa (antidepressivos, estabilizadores de humor, etc.) e da prática psicoterápica. À medida que as informações à respeito das técnicas psicológicas relacionadas ao desenvolvimento de uma visão mental, como a atenção plena, por exemplo, forem cada vez mais respaldadas pelos estudos psiquiátricos e neurológicos — mais abordagens eficazes serão dadas ao tratamento dessas pessoas que precisam lutar diariamente para não morrerem de amor — nossos amigos borderlines. [3]

BIBLIOGRAFIA

1. Veja: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI244262-17773,00-DE+ONDE+VEM+O+MAL.html

2. SIEGEL, Daniel J. O Poder da Visão Mental: O Caminho Para o Bem-Estar. / Tradução: Fátima Santos. — Rio de Janeiro: Best-Seller, 2012. Pág. 118.

3. Veja: http://galileu.globo.com/edic/94/comportamento1.htm

Uma resposta para “Visão Mental” Para Borderlines

  1. bingo online disse:

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    “Visão Mental” Para Borderlines | Site Pessoal de Marcondes Lucena

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