A “Filosofia do Agora” – Sêneca

Lucius Annaeus Sêneca  (4 a.C.- 65 d.C.)

Lucius Annaeus Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.)

“O importante é viver bem, não viver por muito tempo; e muitas vezes vive bem quem não vive muito.

Ninguém se preocupa em ter uma vida virtuosa, mas apenas com quanto tempo poderá viver. Todos podem viver bem, ninguém tem o poder de viver muito.

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.” […]

“Infeliz é o espírito ansioso pelo futuro.

Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente.

Enquanto protelamos, a vida passa por nós a correr.

Ai daquele que se inquieta com o futuro!”

Lucius Annaeus Sêneca  (4 a.C.- 65 d.C.), filósofo romano.

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Durante toda a vida, as pessoas costumam se perguntar muitas vezes a respeito das grandes questões existenciais — Qual o sentido da vida? Por que estamos aqui? Como devemos viver a vida? De onde viemos? Para onde vamos?­… — Todos os sistemas filosóficos existentes, na verdade, são tentativas de explicações ou de respostas a estas questões. Será que algum dia teremos respostas definitivas a todas as indagações da vida?

O filósofo romano Sêneca, citado acima, traz em sua filosofia algumas reflexões interessantes a respeito dos questionamentos existenciais. Embora a sua filosofia seja apenas mais uma filosofia, entre muitas, o seu ponto-chave é o apego à realidade tal como ela é. Muitas filosofias se apegam à especulação do que acontece após a existência terrena, isto é, na discussão a respeito da imortalidade da alma, na continuação da existência… Esses pensadores embasam as respostas a respeito do sentido da vida em cima da existência ou inexistência de outra vida. É como se nós fôssemos basear o significado de nossa vida atual numa expectativa além daquilo que podemos viver agora. Um exemplo desta filosofia encontra-se no Cristianismo — a “verdadeira vida” não é esta, a atual, mas ainda está por vir: é a vida eterna no Paraíso. — Mas e que dizer da vida atual? Não possui um sentido desde já? — para os cristãos, esta vida deve ser uma negação, um estágio de provação, visando o prêmio futuro…

São palavras de Sêneca: “Depois da morte não há nada e a morte também não é nada. Cada hora do nosso passado pertence à morte. Morremos a cada dia, a cada dia falta uma parte da vida. Morremos como mortais que somos, e vivemos como se fôramos imortais.” — Ele parece que entende o tudo como sendo o agora. Isto representa uma nova interpretação do tempo. A eternidade seria o momento atual. Se formos felizes agora, este será o nosso momento de “eterna” felicidade. É a “filosofia do agora”.

Mas será que a “filosofia do agora” pressupõe um viver desesperado? O escritor cristão, Paulo de Tarso, teceu críticas a respeito desta filosofia: “Se eu, igual aos homens, tenho lutado com feras em Éfeso, que me aproveita isso? Se os mortos não hão de ser levantados, ‘comamos e bebamos, pois amanhã morreremos’.” (1ª Carta aos Coríntios 15: 32) Nesta passagem, o Apóstolo Paulo enaltece a esperança de uma existência além da atual qual ponto de incentivo às perseguições sofridas à época pelos cristãos, ou seja, sem a expectativa da ressurreição (voltar da morte, viver de novo), seria implausível ter que morrer como mártir pela fé. Um pouco antes, na mesma passagem desta carta (versículo 19), o escritor Paulo afirma categoricamente: “Se somente nesta vida temos esperado em Cristo, somos os mais lastimáveis de todos os homens.” — Enfim, para os cristãos, o sentido da vida tem como base uma existência melhor e futura… — Mas nos perguntamos: e se desejarmos viver bem esta atual existência? — devemos voltar ao pensamento de Sêneca.

Embora as filosofias religiosas preguem uma bonança futura, de certa forma carecemos viver a atual existência. As “realidades vindouras” se tratam de uma expectativa, de uma esperança. A nossa realidade é a atualidade. Não precisamos, também, encarar a vida atual? Parece que precisamos aprender a manter o equilíbrio saudável entre aquilo que acreditamos e aquilo que vivemos, isto é, a moderação entre a fé naquilo que cremos ainda estar por vir e aquilo que vivemos no dia-a-dia.

Para Sêneca viver bem significa ter metas. Aproveitar a vida saudavelmente. Significa viver a eternidade no hoje. “A vida, sem uma meta, é completamente vazia. Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável. Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada.” Ele nos instrui que, além de possuir as metas, precisamos moderar nossos sentimentos. “É justamente através dos prazeres que nascem as causas da dor.” Isto nos lembra a filosofia budista do desejar qual sinônimo de ansiedade, frustração, decepção e dor.

Enfim, de se filosofar não há limites… Todos nós devemos continuar com as nossas reflexões existenciais saudavelmente. Devemos desenvolver, a cada dia, a nossa filosofia do bem: o nosso bem e dos que nos rodeiam. Visto que nós fazemos parte de uma sociedade, devemos trabalhar em prol dela, encarando-a como “algo maior”. A nossa própria natureza humana nos ensina que necessitamos viverem sociedade. Istoé um fato. Portanto, viva, aprenda e cresça como ser humano, todos os dias. Perceba, diariamente, tudo aquilo que produz uma evolução na sua filosofia existencial. Devemos nos lembrar, independentemente de nossas crenças pessoais, que somos minúsculos diante do Universo. Ainda temos muito a aprender!

CONSULTA BIBLIOGRÁFICA:

http://www.valterdarosaborges.pro.br/seneca.htm

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