Um minuto olhando a pista, de madrugada…

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Olhando fixamente aqui a rua, a pista em frente à minha casa, por um minuto entro em transe hipnótico, observando como num trailer todos meus sentimentos e emoções, vividos e demonstrados já a tantas pessoas durante a minha existência…

Me pergunto sinceramente se sei, diante de toda a minha inteligência e racionalidade (ou de minha ignorância e irracionalidade), o que faz um ser humano se apegar a outro…

Por muito e muito tempo em minha vida imaginei que fosse apenas a atração física que explicasse tudo isso… os olhos se atraem apenas pela beleza exterior? Depois passei a perceber que, embora a atração pela parte física conte muito, não determina tudo. Portanto, abandonei esta teoria… Passei a entender que trata-se, na verdade, de uma atração física por um lado, mas por outro, uma porção de encanto. As pessoas possuem algo em si que atraem outras pessoas a elas… Isso é o que me embatuca!

O que será que causa aquela nossa “certeza” de que “fulana” é a pessoa certa? O que será que ela tem que nos atrai?… Formulei uma teoria psicológica, racional, mas nem eu mesmo sei se ela é capaz de explicar… Eu supunha que aquela pessoa a quem nos apegamos possui alguns traços de personalidade que suprem as nossas necessidades psicológicas originadas durante a infância. Por exemplo: se a pessoa foi alguém que não recebeu muito carinho e atenção enquanto criança, ao encontrar alguém carinhoso e atencioso poderá facilmente atrair-se; ou se a pessoa sempre desejou passar por aventuras enquanto criança mas não lhe era permitido, poderá atrair-se a alguém com espírito aventureiro, e por aí vai… Trata-se de uma teoria interessante: atração como sinônimo de superação de necessidades… mas não sei se isso é tudo…

Talvez os sentimentos humanos sejam simplesmente inexplicáveis… Não inexplicáveis no sentido de que não existam teorias, como a que demonstrei acima. Mas inexplicáveis no sentido de que todo o nosso conhecimento e toda a nossa ciência tornam-se não muito “alcançáveis”, por assim dizer, quando estamos diante desses mesmos sentimentos… Meus colegas cientistas que lerem este texto e que já tiverem passado por paixões arrebatadoras ou amores intensos saberão do que estou falando…

Eu acredito, muitas vezes, que nós seres humanos vivemos as coisas irracionais para tentar nos esconder ou fugir, nem que seja por um pouco, daquilo que a racionalidade nos obriga a saber… Por outras palavras: queremos sonhar, pois a realidade é muito chata… Nós sabemos que vamos morrer (somos materiais) e que os nossos amores também passarão (aqueles que amamos também são materiais), mas este conhecimento racional é raramente pensado… melhor é a pessoa ir vivendo, com uma leve sensação de eternidade do que é bom… Aquilo que sabemos que um dia terá fim, mas que amamos de verdade, precisamos e costumamos vivê-lo ou tê-lo como se fosse pra sempre…

Mas vamos ter foco!… Sabendo que jamais poderemos escolher por quem iremos nos apaixonar, do mesmo modo não podemos julgar as pessoas pelos seus sentimentos, caso elas não nos amem… Quem dera pudéssemos ter uma tecla ligar/desligar amor, ou amar/não-amar determinada pessoa… ninguém jamais sofreria, pois sempre haveria correspondência de sentimentos…

O que eu sei é que precisamos valorizar melhor as coisas… Muitas vezes abandonamos coisas importantes por bobagens… Às vezes nos atraímos por certa pessoa e sabemos que ela também nutre sentimentos… por que então não ficamos juntos? Muitas vezes por vaidades e dúvidas bobas… Algumas vezes até mesmo por orgulho ou medo… Se viver em si já é um risco, por que arriscar gostar de quem nos gosta não seria?…

Amar parece ser uma gostar intensamente que se prolonga no tempo… O amor é um sentimento muito útil… nos torna pessoas melhores… nos traz confiança e segurança, e nos dá foco na vida… Com equilíbrio e moderação, o amor, quando recíproco, dá até mesmo sentido à vida de algumas pessoas. A música “Bring me to life”, do Evanescence, aponta por este lado… Demonstra que, em alguns casos, pessoas que levavam vidas vazias, fúteis, como se numa “existência de mentirinha”, ao descobrir um amor, alguém que se interessava por elas, passaram a viver, como se fossem acordadas de um sonho… Vejam a letra desta música…

Enfim, isso tudo foi o que eu vi, visualizei, percebi… num único, minúsculo e rápido minuto de transe hipnótico, olhando a pista em frente à minha casa…

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