Concepção Marcondeniana do amor

 

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O amor, em minha concepção, trata-se de um prolongamento do gostar, ou um gostar que se prolonga no tempo.

 

 

Alguns realmente argumentaram que o amor é mais profundo que o gostar, e eu não discordo disso. Mas considero esta minha concepção filosófica mais profunda do que esta significação quase “mística” que dão a este sentimento puramente humano.

 

 

Gostar significa certa identificação do objeto do desejo (físico e sentimental). Ou seja: a pessoa sente-se sintonizada com o objeto de afeto e carinho. No entanto, este gostar inicial ainda situa-se muito na superficialidade — não conhecemos os defeitos da pessoa, todos os gostos, todos os sentimentos, todos os modos de agir, etc. Nós nos identificamos apenas com algumas características básicas. Parece que o objeto de nossa identificação nos supre alguma necessidade psicológica. Um exemplo clássico: a pessoa possui uma personalidade muito insegura e carente de afeto — é provável que ela sinta-se muito achegada a alguém que transmita segurança nas opiniões e que seja também carinhosa.

 

 

Bem, este gostar inicial dá um incentivo de continuação do relacionamento. É como se fosse um convite para uma chance futura de continuação. Será que a continuação se concretiza? Bem, quando isto acontece, o avanço do tempo faz com que o gostar inicial vá cada vez mais se aprofundando. Características iniciais, que nos chamaram a atenção à pessoa, vão-se entrecruzando com os demais traços de personalidade. Nós acabamos por nos adaptar às novas circunstâncias. Nós passamos a deter agora toda a completude da personalidade da pessoa: qualidades e defeitos, virtudes e vícios…

 

 

Onde entra o amor? Ora, vamos definir o amor de uma forma interessante: digamos que ele seja um sentimento de negatividade em nós mesmos. A minha concepção de amor é esta — negatividade. Como assim?

 

 

O amor acontece pela negatividade em nós mesmos no sentido de que sempre procuramos nos outros aquilo que falta em nós — é como se fosse um complemento. Alguns até mesmo chamam pessoas que se amaram por toda a vida de “alma gêmea”: eles se completam. Reflita sobre isso e veja que não foge à realidade!

 

 

O amor parece ser uma continuação da sensação do gostar inicial. O gostar inicial serve de convite ao conhecimento da completude da personalidade da outra pessoa. Ao conhecermos cada vez mais essa tal completude, vamos progressivamente e gradualmente percebendo um encaixe entre a pessoa e nossas carências. É por isso que alguns até mesmo chegam a não se imaginar sem aquela determinada pessoa. Aquela pessoa supre a negatividade do seu “eu”. Amor é isso — ver naquela pessoa o que falta em nós e sentir-se feliz por isto.

 

 

Esta interpretação do amor pode nos servir de base filosófica de entendimento para a afirmação conhecida mundialmente, a saber: “Deus é amor”. Esta frase foi escrita por um dos primeiros líderes do Cristianismo, o apóstolo João, seguidor direto e pessoal do fundador desta religião, no final do século I d.C. A frase completa afirma que “quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 João 4:8) O que a interpretação de negatividade do amor exposta aqui tem a ver com Deus ser amor? O segredo está aqui — Deus é visto como o Criador das coisas e das pessoas e é amor, logo nós também podemos ser “deuses criadores”, nesta concepção, de pessoas em nós mesmos. Quando nós amamos alguém nós “criamos” esta pessoa dentro de nós. Nós nos tornamos “criadores” ou “deuses” e fazemos a pessoa existir em nós. É por isso que pode-se filosoficamente interpretar que Deus é amor: ele nos criou (para os cristãos, literalmente) e nós também podemos criar aquilo que nos falta (a pessoa que nos completa, figurativamente).

 

 

Mas quantas pessoas amam desta forma atualmente? Quantas pessoas estão decididas a amar no sentido de complementação ou de formação ou de criação de algo dentro de si? — poucas, muito poucas!

 

 

Infelizmente devo reconhecer que as pessoas da sociedade atual (mas isto não é novo, apenas se intensifica cada vez mais) estão perdendo ideologicamente, deixando esfacelar-se, a nossa criação humana mais importante: os sentimentos! A nossa capacidade única de racionalidade possibilitou o desenvolvimento dos sentimentos. Nós fomos capazes de aprender coisas abstratas, que vão além dos instintos físicos. Ora, parece que agora estamos regredindo — isto não deve ser encarado como um texto conservador — nós estamos abandonando o que nos torna humanos. Pode parecer patético, mas não é. É um fato inerente de nossa espécie. Nós não possuímos apenas as necessidades fisiológicas! A nossa espécie, mais evoluída, desenvolveu necessidades sentimentais, psicológicas…

 

 

As pessoas que parecem querer demonstrar que vivem felizes por levar uma vida fútil — de satisfação dos desejos físicos do corpo apenas — não são sinceras consigo mesmas. Embora elas talvez interpretem (ou queiram interpretar) que isto, para elas, é felicidade, estão “nadando contra a maré”. A espécie humana desenvolveu os sentimentos e as necessidades abstratas, da alma, e isto não pode ser simplesmente renegado sem perdas ou traumas pessoais. Observe-se que pessoas sem quaisquer demonstrações de sentimentos, amorfas, acabam por demonstrar à sociedade, posteriormente, que são portadoras de sérios transtornos psicóticos — eles afastaram-se num grau elevado da real condição humana: possuir sentimentos.

 

 

Portanto, enfim, o conselho ou exortação que eu — aliás, eu não — os amoristas dão a todos, é que procurem ser “deuses”, criadores de outros em si mesmos. Quando nós amamos alguém por encará-lo como um complemento, e nisto há reciprocidade, ambos tornam-se pessoas melhores e mais completas. Não existe amor ruim. O amor só faz o bem, embora ainda assim seja algo imperfeito por pessoas imperfeitas. Deus é amor e ele criou — nós podemos nos tornar criadores em nós mesmos, desde que sigamos a mais sensacional das coisas conhecidas no Universo até o momento: a racionalidade da espécie humana.

 

 

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