A Verdade

Existe a verdade? O que você acha?

Eu disse recentemente a todos os meus amigos do Orkut que a ‘única verdade que existe no mundo é esta: que não existe verdade’.  Alguns rebateram tal afirmação fazendo a interessante indagação: se não existe verdade  e isto é uma verdade, já não temos uma verdade?

Interessante debate!

Mas, na verdade, se nem mesmo dizermos que não existe uma verdade não é verdade porque isso já é uma verdade, a afirmação primeira é falsa, continuando verdadeira o “espírito” da mesma…

Quem consegue entender tais questões? Você consegue?

Isso faz parte daquelas frases em que um elemento da sentença contradiz o outro, mas mesmo assim ainda entende-se a mensagem. Veja outro exemplo: dizem que Sócrates teria dito que ‘só sabia que nada sabia’. Pense bem: se ele sabia que não sabia de nada, como poderia saber disso, visto que isso já era um saber? Sinistro! embora possamos entender…

A verdade é que a Filosofia não se trata de uma verdade, nem tampouco a ciência. Isso acontece porque os elementos da realidade são em si mesmos a verdade. Eles — sem definição alguma.

Devemos conceber o fato de que todo conhecimento é humano, limitado. Não existe verdade abstrata, pois todas as abstrações provém de nossos sentidos, limitados ao tempo e ao espaço.

Até mesmo devemos conceber a ideia de que não existem certas coisas na realidade de forma concreta, mas que são apenas conceitos humanos, ideológicos e ilusórios. Por exemplo, veja a questão do tempo. Ele existe? Quando dissemos acima que nossos sentidos são limitados ao tempo em vivemos, será mesmo que existe este tempo como algo real, ou faz isso parte simplesmente de mais uma de nossas criações mentais?

O tempo, se pensarmos bem, não existe. Ou se existe, é sempre relativo… Não existe como algo em si, mas é sempre relacionado a momentos que transcorrem de uma situação a outra. O que existem são apenas momentos, nada mais. A nossa concepção do tempo é na verdade uma concepção de momentos.

Com isto temos o seguinte — que não existe a sempiternidade. O que existe mesmo são momentos, sem escalas de antes ou depois. “Deus” não criou o tempo, e nem estava “fora dele” como muitos pensam. Eles se predem muito à concepção de transcorrência do momento. Não nos prendamos a isto. Quando “Deus” criou todas as coisas havia apenas o momento. A partir desse momento é que se pode criar relações de antes e depois. Não se pode conceber a ideia de antes e depois de “Deus”, pois ali havia apenas o momento “só Nele”.

Na questão do “espaço”, a questão é ainda pior, pelo que parece…

Onde estava “Deus” no momento da criação do espaço físico? Em lugar nenhum? Num lugar espiritual? Como é o “espaço” espiritual? Tais questões vêm sendo discutidas por alguns que se aventuram na tal da Física Quântica. Eles especulam sobre as minúsculas partículas atômicas e em que ponto elas deixam quase de ser físicas e mudam de natureza. Quer dizer: eles se perguntam como deve ser encarada a energia existente entre as minúsculas partículas que formam as subdivisões dos atômos. É física ou de outra natureza?…

Alguns me perguntaram sobre todas essas questões, se eu acreditava em “verdades” sobre elas. Digo que não. O que eu disse acima, embora eu acredite atualmente nisso, não considero verdades em si mesmo. São apenas reflexões limitadas e mutantes. Nós precisamos reconhecer as nossas limitações humanas, pois esse reconhecimento nos auxilia no processo evolutivo do conhecimento. Se nós crermos em verdades absolutas demonstraremos certa tendência para a estagnação intelectual. Esta observação anterior é facilmente perceptível em pessoas que não seguem a nossa doutrina do relativismo.

Mas nos perguntamos: que sentido existe em se viver sem respostas absolutas? — É justamente esta indagação que faz com que as religiões ainda não tenham sido extintas da humanidade. O homem, devido à sua capacidade intelectual, criou inconscientemente a necessidade consciente de respostas. Não é a questão das respostas serem verdadeiras ou não, mas apenas de serem respostas…

Veja por exemplo a questão do insucesso de nossa doutrina deísta. Crer num “Deus” impessoal e distante… Quem, em nossa sociedade, carente de uma imagem paterna e acolhedora da divindade aceitaria tal noção e continuaria estável espiritualmente? Poucos. Bem poucos! Isso demonstra a necessidade criada da busca de respostas. Como o deísmo não significa realmente a obtenção das respostas que muitos dos crentes desejam alcançar, eles se prendem em demasiado ao teísmo, muitos se tornando até mesmo fanáticos religiosos!

Mesmo assim, sabendo do narrado no parágrafo acima, ainda precisamos informar que alguns têm conseguido viver sem o apego alienante ao teísmo religioso. Acreditam que viver em busca de respostas em si mesmo já é um sentido na vida. Não são as respostas o sentido, mas a busca — a busca do conhecimento. O desejo de eternidade é conseguido através da conscientização da limitação da vida humana. A evolução do conhecimento que nós jamais teremos pertencerá às gerações futuras. Louis Armstrong, excelente cantor já falecido, demonstrou bem essa premissa na sua famosa música “What a Wonderful World” (Que lindo mundo). Todos nós devemos refletir e aceitar tais fatos.

Será que a verdade não é sempre incompleta? Será que a morte não é a completude de tudo? Um dia saberemos… Um dia saberemos!…

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