Reflexões Sobre a Verdade Individual

Às vezes eu realmente me encontro em dúvida se é válido fazermos críticas às verdades individuais cridas pelas pessoas…

Assim que eu saí das Testemunhas de Jeová, uma das primeiras coisas que pensei em fazer foi escrever e publicar críticas sobre as religiões institucionalizadas. Naquela época eu pensava que de certa forma isso pudesse ser útil para as pessoas. No entanto, eu jamais fiz isso, pois quando eu me dissociei das Testemunhas, fiz um voto: jamais  promover apostasia, isto é, dissuadir pessoas na fé. Acredito que até agora tenho cumprido essa promessa. 

Muitas vezes o que leva uma pessoa a promover a dissuasão da fé de alguns são os próprios fatores ideológicos. Elas crêem que aquela forma de adoração não é benéfica, e desse modo tentam argumentar questões que supostamente entendem ser erros ou falsidades espirituais da antiga religião que aderiam. Já outros promovem a apostasia realmente pelo desejo de terem seus próprios díscipulos. Alguns até mesmo chegam a formar suas próprias religiões!

Eu penso que não me encaixo, pelo menos atualmente, em nenhum desses casos. Não penso que alguém deva deixar a sua religiosidade por fatores que eu, pessoalmente, julgo importantes. Todos possuem suas próprias razões mentais e pessoais para aderirem a determinado movimento religioso ou filosófico. Hoje eu vejo a religião como realmente uma forma de o ser humano buscar a felicidade e o bem-estar com o próprio ser humano. Antigamente eu pensava que deveria haver meios de a religiosidade ser universalizada, por meio de fatores universalizantes, como a preservação da vida, por exemplo. Mas eu percebi que mesmo sem esses fatores universalizantes contidos de forma homogênea nas religiões, existem sempre aqueles que se sentem felizes e assim devem continuar…

Ainda hoje, é claro, eu penso que existem questões negativas e irracionais na religião. Mas, o meu ponto de vista a respeito de como encarar tais questões evoluiu muito. Por exemplo, antigamente eu achava que deveria ser combatida de toda forma as religiões e grupos que provocam segregações.  Mas agora eu entendo que, mesmo discordando de tais segregações, as pessoas formam certo sentido de vida em cima de tais ideologias… O que as pessoas querem é realmente ser felizes!

Agora há pouco assisti a um congresso das Testemunhas de Jeová. Já havia um bom tempo que eu não via os irmãos. Isso é uma experiência e tanto! Embora não tenha conversado com nenhum deles, devido às restrições organizacionais aos excomungados, apreciei muito tê-los visto.  Fiquei impressionado como os jovenzinhos da minha antiga congregação cresceram! Teve um filho de um irmão que era Servo Ministerial comigo (cargo organizacional) que eu nem reconheci. Esse garoto era baixinho e gordinho, agora está esticado e magro: impressionante!

Muitos irmãos me viram no Salão de Assembléias das Testemunhas de Jeová da Avenida Brasil no Rio de Janeiro. Teve uma criancinha filho de uma Testemunha de Jeová da minha época que veio correndo ao meu encontro, perguntando bem alto se eu “era Testemunha de Jeová de novo”. Experiência marcante!

Alguns talvez pensem que eu sinta ressentimento pelas Testemunhas de Jeová devido às restrições organizacionais impostas aos ex-membros. Digo que não! Eu aprendi que na vida existem escolhas e consequências. Ninguém pode ter tudo. Ninguém pode sair à chuva e não se molhar… Assim como todas as religiões têm suas particularidades, as Testemunhas de Jeová formam uma religião única e peculiar. Elas levam a sério a religiosidade e simplesmente acreditam numa verdade. Quem sou eu para invalidar a crença de outrem na existência de um sentido único de vida?

As pessoas têm o direito de seguir as suas verdades individuais. Muitas dessas pessoas só têm de importante na vida realmente aquilo que acreditam…  Algumas delas levavam uma vida sem sentido algum, amorfas, e, ao encontrarem a sua verdade pessoal passaram a viver, ao invés de apenas “vegetarem”, assim como muitos o fazem pelo mundo afora…

Do que adianta a vida sem sonhos? Já disse o pensador: “O coração possui razões que até mesmo a razão desconhece”.  As verdades individuais, cridas pelas pessoas, pertencem a elas, estão nelas e fazem a felicidade delas… É uma pena que alguns não entendam isso. Pior ainda: é uma pena que  alguns usem isso…

3 respostas para Reflexões Sobre a Verdade Individual

  1. Jose Luis Ribeiro disse:

    Comentario de uma pessoa que se respeita a si próprio porque mostra respeito pelos outros. O contrário também seria verdade.

  2. Alba Bloechliger disse:

    “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Efésios 5:11).

    “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2 João 9-11).

    É errado participar, ter camaradagem, ou ser ligado juntamente com falsos mestres. Falsos mestres incluem qualquer um que não pregue a pura doutrina de Cristo, mesmo que se pareça com homens bons (2 Coríntios 11:13-15) e declare estar certo (Mateus 7:21-23). Nem se tem que pregar realmente o que é falso, para participar das más ações de outros. Simplesmente recebendo, encorajando e apoiando um falso ensinamento já se é contado por Deus como participante do mal.
    Que a paz de Cristo esteja contigo.

    • Resposta do Blog:

      O cristianismo realmente não respeita o relativismo cultural e nem o pluralismo ideológico. Isso sempre acontece com os que crêem na existência de uma verdade absoluta, que exclui qualquer tentativa de reflexão.

      Como podemos afirmar que determinado ensinamento é “o mal”, se não temos um referencial seguro? Mais importante: como podemos determinar a verdade universal, sobre o Todo, se não temos capacidade de apreender completa e totalmente nem mesmo coisas encaradas como simples? Que autoridade temos para fazer taxações de determinadas asserções pessoais de outrem como verdadeiras ou falsas? Quem nos informou que Deus informou ao homem o que é bom ou mau?

      A noção de bem e mal é uma noção humana, limitada por entendimentos humanos. Nós estamos restritos a isso. Não conseguimos, com a nossa capacidade intelectual, ultrapassar os limites do consciente, do material. Não podemos apreender a completude do que é em si mesmo incognoscível. Qualquer tentativa de explicação do que chamam de “Deus” é vã e limitada. Qualquer tentativa de aproximação do que chamam de “Deus” deve ser refletida e respeitada.

      O que mais se tem a dizer que não sejam desarrazoados dogmas sectários, limitantes?

      Um grande abraço!

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