A Verdade é a Realidade!

Não são poucas as pessoas que costumam debater horas e horas a fio sobre assuntos religiosos. Tais debates geralmente não levam a conclusões pragmáticas para a realidade da sociedade humana. Não é que devemos ser contra discussões saudáveis sobre assuntos positivos. Aliás, essas discussões talvez até mesmo possam levar a um melhor entendimento entre os grupos sociais. O problema, na realidade, se situa na questão dos dogmatismos sociais.

Todo mundo sabe que a religiosidade se baseia, evidentemente, em questões que envolvem a fé. Muitos apregoam que a fé deve estar associada da razão e neste caso, é possível uma discussão sobre o certo e o errado religioso. Isso simplesmente não tem lógica. Na realidade, toda e qualquer forma de religiosidade, em última análise, é uma alienação da realidade derradeira e intrínseca da existência física. Se nós não temos os meios derradeiros de determinar uma definição perfeita sobre tal realidade, discussões sobre a validade de certa crença em particular serão inúteis.

A fé pode sim ser discutida, se esta discussão estiver rodeada de parâmetros racionais universais. Como assim? Vai aí um exemplo: qual a diferença de grau de inspiração entre os livros sagrados dos vários grupos religiosos existentes? Qual livro é mais divino: a Bíblia, o Alcorão, o Livro de Mórmon…? Qual deles é o mais sagrado? Qual deles é a “palavra de Deus” e qual é uma fraude? Visto que todos são alienações-bases de vários grupos distintos, cada um desses grupos interpreta as perguntas contidas neste parágrafo de forma relativa e subjetiva. Parece que a fé individual de cada indivíduo provê as bases mentais para cada interpretação. Isso é válido, pois não temos um manual, uma padrão único, um referencial universal para basear a verdade religiosa absoluta.

Note, no entanto, que isso ocorre no caso das crenças particulares. Como já foi citado, questões mais universais ligadas à religiosidade podem ser discutidas de uma forma racionalizante. Que exemplos poderiam ser citados neste sentido? Serão citados dois, um do cristianismo e outro do islamismo: as perseguições religiosas e brutais pela Igreja Católica Romana aos grupos minoritários que discordavam de suas idéias na Idade Média e os ataques terroristas por fanáticos religiosos do islamismo, ceifando a vida de incontáveis vidas inocentes, na nossa atualidade. Os dois casos citados podem e devem ser analisados pragmaticamente. O velho chavão de que “religião não se discute” não se aplica nesses casos em que a religião trouxe desgraças e mais desgraças à humanidade. Hoje nós podemos falar contrária e veementemente de tais abusos históricos. Mas por que podemos? Não foi por que alguns arriscaram as suas vidas por pensar diferente e expuseram tais pensamentos corajosamente em suas épocas? A religiosidade deveria ter objetivos universais, pois os fatores “idiossincráticos” de cada religião não são muito importantes para a realidade no geral e sim apenas para o grupo, religião ou seita em questão.

Quais seriam, então, os objetivos universais da religiosidade? Se nós formos fazer uma análise profunda, veremos que cada grupo ou seita propaga uma forma de solução existencial diferente entre si. Na realidade, toda religião se fundamenta nas questões relacionadas à existência humana. De onde viemos? Por que estamos aqui? Pra onde vamos? Todas as manifestações religiosas são meras tentativas de dar respostas a estas três perguntas. A crença de ir para o céu, dos católicos; a esperança de nascer de novo, do espiritismo; a fé em morar num paraíso terrestre, das Testemunhas de Jeová; o desejo de se tornar um deus, dos mórmons; a busca pelo “oriente eterno”, dos maçons; a ânsia de alcançar uma inexistência pacífica, dos budistas… Ora, todas essas manifestações religiosas não ultrapassam aquela mencionada linha universal da realidade humana derradeira: o que acontece conosco após a morte…

Pois bem, visto toda religião ter esse objetivo universal, por que alguém, em plena consciência, interviria em promover fatores sociais negativos ligados à religiosidade? Isso é simplesmente algo em choque com todos os fatores diferenciadores existentes na questão homem-animal… Usar a religiosidade para o mal da humanidade é rebaixar a superioridade humana sobre os animais. Eu estou falando em questões de racionalidade, e não em questões de importância existencial. Note, então, que a religião pode, nesse sentido, afastar os seres humanos do “divino”, pois seu objetivo seria promover a evolução desses ao encontro deste. E esta evolução não raras vezes se dá por se ensinar boas e úteis qualidades sociais. Talvez nesse campo a religiosidade seja útil, por promover a estabilidade social.

Não obstante, o pior fruto social possível que eu vejo na religiosidade institucionalizada é o fator segregação. Isso é simplesmente impossível que não aconteça, pois, embora a fé seja um sentimento humano universal, a institucionalização desta pelos variados grupos religiosos existentes não se dá de forma universal. Se fôssemos fazer uma analogia, poderíamos dizer que a fé é como se fosse um rio de águas cristalinas. Neste caso, as religiões institucionalizadas seriam uma tentativa de “canalizar” tal rio de forma a poder chegar de forma “purificada” às pessoas de uma determinada cidade. Note, no entanto, que o rio já é cristalino e, não raras vezes, os líderes exageram na “dose de cloro” purificador da água, levando-se a extremos e a fanatismos!

Certo líder religioso, conhecido mundialmente por ter sido expulso de determinada religião, disse certa vez que ‘quanto mais um indivíduo se apega ao sistema religioso, menos espiritual ele se torna’. Esta é a pura realidade! Que cada um de nós possa verificar a cada dia os objetivos universais da religiosidade e, se possível, sermos espirituais mesmo sendo religiosos!

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