Teoria do Preconceito Universal

Seria verdade dizer que todos, sem exceção, são preconceituosos? Sim, seria verdade, de acordo com a teoria do Preconceito Universal.

Segundo Paulo Freire (na foto), intelectual brasileiro, para se possibilitar uma pedagogia baseada na autonomia do indivíduo, necessita-se levar em conta que o ser humano é incompleto, inconcluso. O ser humano não nasce com uma predeterminação, um desígnio, uma essência, a qual tenha que se adaptar para ser “humano”. Isso parece ser uma coisa aprendida. Ora, seríamos nós seres humanos simplesmente por vivermos entre humanos? O que aconteceria se não tivéssemos contato social desde o nascimento?Já se perguntou sobre isso?

Novamente, de acordo com esse pensamento defendido por Freire, ninguém é necessariamente produto do meio, ou pelo menos não deveria ser! Isso parece um paradoxo! Ora se diz que não somos humanos sem o meio e ora se diz que não devemos ser o meio! Seria possível nós julgarmos o meio por meio de aprendizados que nos foram transferidos por ele mesmo?

A teoria do Preconceito Universal se baseia nessa premissa de que o ser humano não tem uma essência inerente, básica, mínima. Raciocina-se que, visto não termos essa essência humana, tudo o que aprendemos é social, algo preconcebido. Há uma frase que diz: “A filosofia de um século é o bom senso do próximo.” Isso é razoável! Ora, não estamos afirmando aqui que sentimentos como o amor, a paixão, o ódio, o racismo, a saudade, etc, são coisas aprendidas? Parece que nós, a nossa personalidade, é um reflexo cultural do nosso meio: nossa cultura, nossa família, nossa religião…

Existe uma essência universal? Poderíamos dizer que não querer matar, amar, se apaixonar, ter ódio, se sentir triste, ter pena, etc, são coisas puramente humanas? Para a parte dialética, materialista, das ciências sociais parece que não. E por que não? Porque as ciências estão demasiadamente comprometidas com este materialismo. Não o materialismo no sentido de apego a bens materiais, mas no sentido de se procurar respostas unicamente no meio empírico, físico, experimental.

É claro que o materialismo é muito limitado. Aliás, a teoria da autonomia de Paulo Freire é uma utopia. Já notou  que quase todas as teorias sociais se aproximam das utopias? Os seres humanos não têm os meios de aplicar teorias abstratas no meio concreto. Podemos tentar nos esforçar a diminuir as lutas ideológicas, mas jamais haverá uma sociedade humana sem lutas de classes. A não ser que haja um fator absoluto que possa impor uma ideologia aos dominados.

Os próprios líderes socialistas assumem que não existe uma sociedade comunista no mundo. O comunismo seria a última fase de comunhão entre seres humanos. O Socialismo é a expressão política do comunismo, uma tentativa intermediária de se chegar a ele. De acordo com Karl Marx, o comunismo seria a última fase da evolução (no sentido de progressão) humana. Note que se pode sentir um aroma de utopia no ar dessas filosofias…

Agora, voltando ao assunto dos preconceitos, pensamos: já que todos são preconceituosos, visto que todos aprendem conceitos pré-formados socialmente, como poderíamos não ser preconceituosos negativamente? Teríamos que medir preconceitos sociais baseados em preconceitos sociais? Qual preconceito é melhor do que outro? O que é ético? O que é útil? O que é o bem? O que é o mal?…

Nós não podemos deixar que essas idéias nos conduzam para uma tentativa de dominação mental ideológica, imposta por muitos e aceita por quase todos, no sentido de suprir respostas prontas às nossas indagações! Cada um deve escolher, conscienciosamente, o que é útil ou não para a sociedade. O bem-estar humano, imparcial, deve ser a pedra de toque. O que provoca sofrimento, dor, morte: isso é o mal. O que provoca uma utópica evolução humana, mesmo que utópica, é o bem! O bem e o mal é o que é e o que não é de proveito para a sociedade, respectivamente.

Essas questões, as respostas a essas questões: elas são o próprio sentido da vida!

2 respostas para Teoria do Preconceito Universal

  1. jacques disse:

    Muito bem!
    “O que aconteceria se não tivéssemos contato social desde o nascimento?”
    Eu seguidamente pensei nessa afirmação.
    Na pirâmide de necessidaes de Maslow o convívio social integra uma das exigências da existência humana.
    Nunca endossei isto.

    Outra coisa que me veio a mente foi a recente discussão sobre a mente dos psicopatas.
    Se eram eles fruto do meio, ou biologicamente induzidos a tais crimes.

  2. Conde disse:

    Este artigo foi escrito há um bom tempo atrás. As idéias apresentadas nele já são até mesmo consideradas por mim desatualizadas. Eu só não vou provocar atualizações neste artigo e em nenhum outro porque tais artigos me ajudam de certa forma a perceber como o meu pensamento evolui com o passar do tempo.

    Mas vale a pena considerar aqui alguns pontos que considero interessantes.

    Primeiramente, o artigo não tem uma boa introdução, com um desenvolvimento com coesão, e muito menos uma finalização plausível. Começa-se falando de uma teoria e finaliza-se dando um aconselhamento. Isso não tem nada a ver!
    No corpo do discurso começa-se a falar em Karl Marx, e afirma-se que a teoria da autonomia de Paulo Freire é uma utopia, acabando por concluir que “os seres humanos não têm os meios de aplicar teorias abstratas no meio concreto”. Outro furo, na minha visão atual!

    Afirma-se também que os preconceitos devem ser medidos por outros preconceitos e que deve-se escolher não sermos ‘preconceituosos negativamente’. Isso, é claro, possui alguma lógica, mas não cabia neste artigo tal discussão descontextualizada. Esse assunto pode ser considerado em artigos posteriores.

    Bem, a Teoria do Preconceito Universal, que eu discorri neste artigo, continuo a supor. Diz respeito aos conceitos que aprendemos desde o nascimento e a consequente socialização. Visto que toda socialização se dá num determinado contexto cultural, todos os conceitos, evidentemente, serão “pré-conceitos”. Mas não podemos afirmar que todas as utopias são impossíveis de serem colocadas em prática. É claro que quando se afirmou que não se pode aplicar abstrações no meio concreto, material, supunha-se realmente isto: que as realidades utópicas jamais serão realidades concretas, visto que existem anteriormente, no plano das idéias, e, por isso, são em si uma outra realidade, única.

    O meu pensamento pessimista a respeito da não concretização das idealizações utópicas foi recentemente reafirmado no artigo “O Caos Inevitável”, que embora o tenho publicado, gostaria muito que na realidade não se verificasse a sua autenticidade. Talvez no futuro eu publique um comentário semelhante a este com respeito a esse artigo sobre o “caos”.

    Não obstante, para concluir, continuo endossando o aconselhamento que dei na finalização do artigo em questão, isto é, que não devemos dar a nossa liberdade de escolha a diferentes opiniões existentes! Isso é importante!

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