A “Filosofia do Agora” – Sêneca

14 de maio de 2012
Lucius Annaeus Sêneca  (4 a.C.- 65 d.C.)

Lucius Annaeus Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.)

“O importante é viver bem, não viver por muito tempo; e muitas vezes vive bem quem não vive muito.

Ninguém se preocupa em ter uma vida virtuosa, mas apenas com quanto tempo poderá viver. Todos podem viver bem, ninguém tem o poder de viver muito.

Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.” [...]

“Infeliz é o espírito ansioso pelo futuro.

Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente.

Enquanto protelamos, a vida passa por nós a correr.

Ai daquele que se inquieta com o futuro!”

Lucius Annaeus Sêneca  (4 a.C.- 65 d.C.), filósofo romano.

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Durante toda a vida, as pessoas costumam se perguntar muitas vezes a respeito das grandes questões existenciais — Qual o sentido da vida? Por que estamos aqui? Como devemos viver a vida? De onde viemos? Para onde vamos?­… — Todos os sistemas filosóficos existentes, na verdade, são tentativas de explicações ou de respostas a estas questões. Será que algum dia teremos respostas definitivas a todas as indagações da vida?

O filósofo romano Sêneca, citado acima, traz em sua filosofia algumas reflexões interessantes a respeito dos questionamentos existenciais. Embora a sua filosofia seja apenas mais uma filosofia, entre muitas, o seu ponto-chave é o apego à realidade tal como ela é. Muitas filosofias se apegam à especulação do que acontece após a existência terrena, isto é, na discussão a respeito da imortalidade da alma, na continuação da existência… Esses pensadores embasam as respostas a respeito do sentido da vida em cima da existência ou inexistência de outra vida. É como se nós fôssemos basear o significado de nossa vida atual numa expectativa além daquilo que podemos viver agora. Um exemplo desta filosofia encontra-se no Cristianismo — a “verdadeira vida” não é esta, a atual, mas ainda está por vir: é a vida eterna no Paraíso. — Mas e que dizer da vida atual? Não possui um sentido desde já? — para os cristãos, esta vida deve ser uma negação, um estágio de provação, visando o prêmio futuro…

São palavras de Sêneca: “Depois da morte não há nada e a morte também não é nada. Cada hora do nosso passado pertence à morte. Morremos a cada dia, a cada dia falta uma parte da vida. Morremos como mortais que somos, e vivemos como se fôramos imortais.” — Ele parece que entende o tudo como sendo o agora. Isto representa uma nova interpretação do tempo. A eternidade seria o momento atual. Se formos felizes agora, este será o nosso momento de “eterna” felicidade. É a “filosofia do agora”.

Mas será que a “filosofia do agora” pressupõe um viver desesperado? O escritor cristão, Paulo de Tarso, teceu críticas a respeito desta filosofia: “Se eu, igual aos homens, tenho lutado com feras em Éfeso, que me aproveita isso? Se os mortos não hão de ser levantados, ‘comamos e bebamos, pois amanhã morreremos’.” (1ª Carta aos Coríntios 15: 32) Nesta passagem, o Apóstolo Paulo enaltece a esperança de uma existência além da atual qual ponto de incentivo às perseguições sofridas à época pelos cristãos, ou seja, sem a expectativa da ressurreição (voltar da morte, viver de novo), seria implausível ter que morrer como mártir pela fé. Um pouco antes, na mesma passagem desta carta (versículo 19), o escritor Paulo afirma categoricamente: “Se somente nesta vida temos esperado em Cristo, somos os mais lastimáveis de todos os homens.” — Enfim, para os cristãos, o sentido da vida tem como base uma existência melhor e futura… — Mas nos perguntamos: e se desejarmos viver bem esta atual existência? — devemos voltar ao pensamento de Sêneca.

Embora as filosofias religiosas preguem uma bonança futura, de certa forma carecemos viver a atual existência. As “realidades vindouras” se tratam de uma expectativa, de uma esperança. A nossa realidade é a atualidade. Não precisamos, também, encarar a vida atual? Parece que precisamos aprender a manter o equilíbrio saudável entre aquilo que acreditamos e aquilo que vivemos, isto é, a moderação entre a fé naquilo que cremos ainda estar por vir e aquilo que vivemos no dia-a-dia.

Para Sêneca viver bem significa ter metas. Aproveitar a vida saudavelmente. Significa viver a eternidade no hoje. “A vida, sem uma meta, é completamente vazia. Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável. Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada.” Ele nos instrui que, além de possuir as metas, precisamos moderar nossos sentimentos. “É justamente através dos prazeres que nascem as causas da dor.” Isto nos lembra a filosofia budista do desejar qual sinônimo de ansiedade, frustração, decepção e dor.

Enfim, de se filosofar não há limites… Todos nós devemos continuar com as nossas reflexões existenciais saudavelmente. Devemos desenvolver, a cada dia, a nossa filosofia do bem: o nosso bem e dos que nos rodeiam. Visto que nós fazemos parte de uma sociedade, devemos trabalhar em prol dela, encarando-a como “algo maior”. A nossa própria natureza humana nos ensina que necessitamos viverem sociedade. Istoé um fato. Portanto, viva, aprenda e cresça como ser humano, todos os dias. Perceba, diariamente, tudo aquilo que produz uma evolução na sua filosofia existencial. Devemos nos lembrar, independentemente de nossas crenças pessoais, que somos minúsculos diante do Universo. Ainda temos muito a aprender!

CONSULTA BIBLIOGRÁFICA:

http://www.valterdarosaborges.pro.br/seneca.htm


Polêmica sociológica: Matanças de animais em seitas religiosas – O que você acha disso?

11 de maio de 2012

Sacrifício de animaisRecentemente o deputado Edson Portilho (PT do RS) propôs e conseguiu aprovação de um projeto de lei que objetiva assegurar o direito dos membros de seitas religiosas que possuem rituais de matança e oferenda de animais a realizar tais sacrifícios. A aprovação da lei provocou muita polêmica, principalmente entre os militantes a favor dos direitos dos animais.

LINK da notícia: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI348857-EI306,00-RS+sanciona+lei+que+permite+sacrificio+de+animais.html

O que você acha das oferendas de animais em rituais religiosos? Acha que a liberdade religiosa deve, neste caso, se sobrepor à proteção dos animais?

A lei em questão menciona a permissão de matanças apenas de animais “destinados à alimentação humana”. São vedados “o abate de animais domésticos, como cães e gatos” e “espécies ameaçadas de extinção, animais silvestres e rituais com requintes de crueldade”. A grande questão é até onde essas restrições serão seguidas pelos seguidores das seitas religiosas! Quando as pessoas acreditam em algo, a sua mente perde completamente a sensibilidade e razoabilidade, que as tornam capazes de discernir entre o que é racional e irracional, real e imaginário, bondoso e cruel. Eu mesmo já presenciei, pela observação direta do comportamento de ALGUNS sectários de religiões afro-brasileiras, a execução de galinhas com a utilização dos dentes dos próprios sectários, durante um estado alterado de consciência.

Esta polêmica que envolve a mediação ou a manutenção do equilíbrio entre liberdade e restrições sociais às seitas religiosas provavelmente durará por muito tempo!


Mudanças inevitáveis na cabeça dos brasileiros

1 de maio de 2012

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Brasileiros

É um pesar informar às pessoas conservadoras, mas as estatísticas apontam que a cabeça dos brasileiros está mudando. O livro que eu recomendo a todos que desejam visualizar as comprovações desta afirmação, com dados sociológicos, é “A Cabeça do Brasileiro”, de Alberto Carlos Almeida, Ed. Record.

No capítulo 6 do livro o autor apresenta as diversificadas visões das várias camadas populacionais brasileiras sobre a sexualidade. O que nós percebemos é que existem diversos “brasis” dentro de nosso Brasil. Constatamos que, embora o país seja, sexualmente falando, formado por um povo em sua maioria de “papai-mamãe”, as mudanças estão em andamento.

São traçadas e comparadas estatísticas diferenciais entre as diversas regiões do País, níveis de escolaridade, renda, religiosidade, capitais versus interior, etc. O que os dados sociológicos revelam não é muito distante dos estereótipos já imaginados por nós: maior conservadorismo entre pessoas do Norte e Nordeste, com baixa escolaridade, baixa renda, muito religiosas e moradoras de cidades do interior. Concluímos que o País está progredindo, inevitavelmente, para um estágio de maior liberalidade, a longo prazo.

Portanto, não adianta em nada, a não ser o aumento do preconceito, animosidade e violência, os representantes conservadores da sociedade berrarem suas opiniões reacionárias (como o Papa querer que o casamento gay represente um perigo à humanidade)… As mudanças sociais provém da decadência das instituições e ideologias que não foram capazes de se renovar. Como também apontam os dados sociológicos, as gerações mais velhas demonstram maior conservadorismo em comparação às mais recentes: isto significa que os velhos levarão consigo suas mentalidades e seus preconceitos…

Será um grande prazer voltarmos aos ares gregos e romanos, não muito distantes de nós!

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BIBLIOGRAFIA: ALMEIDA, Alberto Carlos. A Cabeça do Brasileiro. Rio de Janeiro: Record, 4ª ed., 2007.


O que significa ser especial?

1 de maio de 2012

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Muitas pessoas são bem chamativas. Elas acham que são bem mais importantes do que as outras, bem mais superiores, bem mais valiosas… Outrossim, é verdade que todo mundo possui seu valor, como indivíduo. Mas de onde vem a nossa especialidade?

Universo

Já ouvi uma frase bem interessante, embora não lembre agora o nome do autor, que dizia que “o cérebro humano é o único órgão no Universo conhecido que tenta entender a si mesmo”. Isto é o que torna o ser humano especial e único: a capacidade de pensamento de cada um.

A comprovação do pensamento acima é que, na verdade, o nosso corpo é mutável o tempo todo, continuamente. Algumas partes do corpo de uma pessoa de 30 anos, por exemplo, não possuem nem 5 anos. Isto significa que o corpo que temos hoje não será o mesmo corpo de daqui a 5 ou 10 anos. Ou seja, se nós fôssemos apenas o corpo, seríamos várias pessoas em diferentes épocas. Você não consegue notar diferenças em si próprio com o passar do tempo?

De modo que os nossos pensamentos, a nossa personalidade, a forma como lidamos com o mundo exterior a nós, é o que nos representa melhor como indivíduos. Cada pessoa representa uma imagem única, uma formulação única do Universo dentro de si. É como se o Universo todo existisse apenas por causa de nossa percepção. Que sentido haveria para a existência do Universo não fosse a nossa percepção desta existência?…

Então, sinta-se mais elevado, ou enaltecido, por assim dizer, em saber que todo o Universo foi produzido, ou se produziu (não falo de crenças), para a sua percepção! Sem a nossa percepção do Universo, sem a nossa existência no Universo, ele seria apenas “um Universo”, sem os “EUs” para observá-lo… Esta filosofia pode parecer egoísta (no sentido próprio da palavra), mas, pensando bem, ela é realmente a mais altruísta das filosofias. Por quê? Pelo simples fato de que, reconhecendo a pessoa que existe um Universo em sua mente, outras pessoas também devem possuir a sua percepção universal. Trata-se do reconhecimento, apreensão e absorção dos outros ao redor por meio da equiparação do “nós”. É como se uma percepção do Universo, única, não pudesse ou não tivesse o direito de querer se sobrepor às demais. É simples assim: cada pessoa sendo especial por possuir a sua própria visão de todas as coisas que existem…


O triste “mundo alegre”

1 de maio de 2012

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Embora o termo mais conhecido mundialmente para designar os homossexuais seja a palavra “gay” (alegre, em inglês), infelizmente um estudo sério sobre a realidade homossexual demonstra que esta é bem diferente daquilo que muitos desejam imaginar. Alguns fatores que levam a esta constatação são importantes de ser mencionados, para que se procure diminuir este drama social.

Estamos verificando um aumento significativo no número de suicídios entre os jovens homossexuais. “A média das pesquisas de tentativa de suicídio entre adolescentes homossexuais ou bissexuais é de 31% variando entre 20 e 39%. Estudos epidemiológicos mostram que entre 18 e 24 anos de idade a tentativa de suicídio entre os homens é de 1,5% e para as mulheres de 3.4%. Entre 25 e 44 anos a taxa é de 4%. [...] A Sociedade Americana de estudos do Suicídio está recomendando fortemente o estudo mais rigoroso e aprofundado das causas do suicídio.”

 

jovem deprimidoPor que os homossexuais estão mais sujeitos à “depressão, abuso de álcool e suicídio”, como revelam os estudos? Provavelmente isto se deve à falta de perspectiva de vida, um sentido na vida. Observamos isto diretamente, basta manter determinado contato com indivíduos gays no seu dia-a-dia. A sociedade tradicional parece ter sido preparada para incluir apenas as pessoas heterossexuais. As principais religiões do mundo possuem uma filosofia de exclusão a tais indivíduos, o que prejudica o desenvolvimento de sua espiritualidade assim como costuma fazer a maioria das pessoas dos demais grupos sociais. Além disso, com o avanço da modernidade e a sua ideologia de vazio existencial e futilidade, com um apego exagerado à materialidade, os gays vem associando a sua cultura e modo de vida, por assim dizer, à cultura pop, que confunde a existência a um show num palco, onde a imagem é tudo o que importa e os sentimentos deixa-se pra depois…

Este modo de vida vazio, onde a momentaneidade é o que mais importa, tem levado muitos homossexuais a experimentarem um aumento significativo nos comportamentos sexuais de risco, tendo como resultado o elevado índice de doenças sexualmente transmissíveis entre os gays. Mas isto não responde à questão da falta de perspectiva.

Por que os gays não possuem perspectiva? Por que eles levam uma vida vazia? Como resolver este dilema?

Bem, pelo que parece (e sendo repetitivo), a melhor explicação para este vazio existencial entre os homossexuais, a meu ver, se deve à própria experiência sociocultural vivenciada pelos gays. Os padrões sociais mais conservadores, aos quais eles estão englobados no dia-a-dia, os impedem de possuir uma visão de futuro, uma perspectiva de construção de algo duradouro, como fazem os heterossexuais (“straight man”, em inglês). A visão de construção de uma família, com um casamento feliz, por exemplo, raramente é experimentada entre os homossexuais. A nossa cultura não é favorável para que isto se realize e que se dê uma oportunidade de felicidade a tais pessoas. Isto serve de incentivo a tais indivíduos levarem vidas sem perspectivas duradouras.

Finalizando esta breve análise, concluímos que a militância homossexual das próximas décadas não deve concentrar-se simplesmente no fim ou redução da homofobia. Deve-se também procurar inculcar uma nova ideologia social. Deve-se reconhecer a decadência atual e tentar construir uma nova visão cultural para o mundo gay. Além de direitos plenos, os homossexuais necessitam sentir-se ideologicamente normais e aceitos. Neste sentido, instituições religiosas que vêm relativizando as igrejas mais conservadoras podem prestar um papel decisivo. Com a formação de uma perspectiva de construção de uma família, com amor e espiritualidade, e o sentimento de que as suas vidas possuem um sentido, os homossexuais poderão diminuir a taxa de suicídio entre eles aos índices gerais da população heterossexual, coisa que já deveria ter sido conquistada há muito tempo!

FONTES CONSULTADAS:
http://www.psicosite.com.br/tex/out/out034.htm
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3278&ReturnCatID=1802


Um minuto olhando a pista, de madrugada…

13 de março de 2012

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Olhando fixamente aqui a rua, a pista em frente à minha casa, por um minuto entro em transe hipnótico, observando como num trailer todos meus sentimentos e emoções, vividos e demonstrados já a tantas pessoas durante a minha existência…

Me pergunto sinceramente se sei, diante de toda a minha inteligência e racionalidade (ou de minha ignorância e irracionalidade), o que faz um ser humano se apegar a outro…

Por muito e muito tempo em minha vida imaginei que fosse apenas a atração física que explicasse tudo isso… os olhos se atraem apenas pela beleza exterior? Depois passei a perceber que, embora a atração pela parte física conte muito, não determina tudo. Portanto, abandonei esta teoria… Passei a entender que trata-se, na verdade, de uma atração física por um lado, mas por outro, uma porção de encanto. As pessoas possuem algo em si que atraem outras pessoas a elas… Isso é o que me embatuca!

O que será que causa aquela nossa “certeza” de que “fulana” é a pessoa certa? O que será que ela tem que nos atrai?… Formulei uma teoria psicológica, racional, mas nem eu mesmo sei se ela é capaz de explicar… Eu supunha que aquela pessoa a quem nos apegamos possui alguns traços de personalidade que suprem as nossas necessidades psicológicas originadas durante a infância. Por exemplo: se a pessoa foi alguém que não recebeu muito carinho e atenção enquanto criança, ao encontrar alguém carinhoso e atencioso poderá facilmente atrair-se; ou se a pessoa sempre desejou passar por aventuras enquanto criança mas não lhe era permitido, poderá atrair-se a alguém com espírito aventureiro, e por aí vai… Trata-se de uma teoria interessante: atração como sinônimo de superação de necessidades… mas não sei se isso é tudo…

Talvez os sentimentos humanos sejam simplesmente inexplicáveis… Não inexplicáveis no sentido de que não existam teorias, como a que demonstrei acima. Mas inexplicáveis no sentido de que todo o nosso conhecimento e toda a nossa ciência tornam-se não muito “alcançáveis”, por assim dizer, quando estamos diante desses mesmos sentimentos… Meus colegas cientistas que lerem este texto e que já tiverem passado por paixões arrebatadoras ou amores intensos saberão do que estou falando…

Eu acredito, muitas vezes, que nós seres humanos vivemos as coisas irracionais para tentar nos esconder ou fugir, nem que seja por um pouco, daquilo que a racionalidade nos obriga a saber… Por outras palavras: queremos sonhar, pois a realidade é muito chata… Nós sabemos que vamos morrer (somos materiais) e que os nossos amores também passarão (aqueles que amamos também são materiais), mas este conhecimento racional é raramente pensado… melhor é a pessoa ir vivendo, com uma leve sensação de eternidade do que é bom… Aquilo que sabemos que um dia terá fim, mas que amamos de verdade, precisamos e costumamos vivê-lo ou tê-lo como se fosse pra sempre…

Mas vamos ter foco!… Sabendo que jamais poderemos escolher por quem iremos nos apaixonar, do mesmo modo não podemos julgar as pessoas pelos seus sentimentos, caso elas não nos amem… Quem dera pudéssemos ter uma tecla ligar/desligar amor, ou amar/não-amar determinada pessoa… ninguém jamais sofreria, pois sempre haveria correspondência de sentimentos…

O que eu sei é que precisamos valorizar melhor as coisas… Muitas vezes abandonamos coisas importantes por bobagens… Às vezes nos atraímos por certa pessoa e sabemos que ela também nutre sentimentos… por que então não ficamos juntos? Muitas vezes por vaidades e dúvidas bobas… Algumas vezes até mesmo por orgulho ou medo… Se viver em si já é um risco, por que arriscar gostar de quem nos gosta não seria?…

Amar parece ser uma gostar intensamente que se prolonga no tempo… O amor é um sentimento muito útil… nos torna pessoas melhores… nos traz confiança e segurança, e nos dá foco na vida… Com equilíbrio e moderação, o amor, quando recíproco, dá até mesmo sentido à vida de algumas pessoas. A música “Bring me to life”, do Evanescence, aponta por este lado… Demonstra que, em alguns casos, pessoas que levavam vidas vazias, fúteis, como se numa “existência de mentirinha”, ao descobrir um amor, alguém que se interessava por elas, passaram a viver, como se fossem acordadas de um sonho… Vejam a letra desta música…

Enfim, isso tudo foi o que eu vi, visualizei, percebi… num único, minúsculo e rápido minuto de transe hipnótico, olhando a pista em frente à minha casa…


Sonhos vindos de pessoas

10 de março de 2012

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Renato Russo, Ivete Sangalo e Roberto Carlos

Renato Russo, Ivete Sangalo e Roberto Carlos

As músicas “Índios”, da Legião Urbana (Renato Russo), e “Se eu não te amasse tanto assim”, da Ivete Sangalo, nos lembram algo muito interessante, de acordo com certa forma de interpretação. Elas nos demonstram que sentir amor por alguém pode estar também relacionado à nossa capacidade de construir sonhos. O amor nos faz querer ter ou construir determinadas metas na vida. Nos incentiva a querer coisas, construir uma história, planejar alvos futuros.

A música “Índios”, a meu ver, transmite esta ideia de um modo um tanto obscuro, como era demasiadamente peculiar ao Renato Russo. Há um trecho que diz:

“[...] E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi. [...]“

“Tudo o que eu ainda não vi” parece significar coisas a serem construídas, são os sonhos, as metas. Logo ‘insistir nessa saudade de tudo o que ainda não se viu’ poderia ser interpretada como uma alusão à saudade de se possuir sonhos. Sendo que ela, a pessoa amada, tem a cura pra esse vício: ela supre a necessidade dos sonhos. Sim, amando alguém de verdade, o vício de possuir sonhos é até certo ponto suprido ou alimentado, curado…

Já a música interpretada pela Ivete Sangalo (junto com Roberto Carlos fica ainda mais linda), nos mostra isto da outra forma:

“[...] Se eu não te amasse tanto assim
talvez perdesse os sonhos dentro de mim
e vivesse na escuridão…
Se eu não te amasse tanto assim
talvez não visse flores por onde eu vim
dentro do meu coração. [...]“

Note que, não amar, de acordo com a letra, faria a pessoa perder os sonhos (a capacidade de sonhar) e viveria na escuridão (vida vazia, sem cores). Além disso, a pessoa também não conseguiria observar as flores pelo caminho, isto é, a capacidade de poder notar as belezas da vida, as coisas lindas do mundo, as coisas mais simples, também seria afetada…

Portanto, a conclusão, a meu ver, é esta: o amor satisfaz algo intrínseco e inerente ao ser humano… Nós viemos com uma função chamada “amar” direto da “fábrica”. Não podemos fugir deste fato, isto faz parte de nossa raça… O ser humano, ao ser criado ou evoluir (dependendo de sua crença pessoal), o fez em sociedade, e com isto desenvolveu uma necessidade particularmente nossa: nós somos carentes de sentimentos e de apego.

Não procure fugir desta realidade: todas as espécies de seres vivos são “felizes” por seguirem o que é peculiar aos seus instintos, já programados pela própria natureza. As formigas constroem formigueiros e são felizes; as abelhas constroem colmeias e são felizes; os pássaros constroem ninhos e são felizes… E nós? Nós só poderemos ser felizes agindo da forma que realmente funciona a nossa espécie… Se a natureza nos dita e nos obriga a ter a necessidade de racionalidade e sentimentos: ame e seja feliz assim…


Músicas sobre amores distantes

15 de fevereiro de 2012

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Já notou que as melhores músicas, as que mais tocam o nosso coração, são as que falam de amores que não deram certo ou se distanciaram? Por que será?

Dois exemplos clássicos: a música My heart will go on (Celine Dion, trilha sonora do filme Titanic) e a canção atual Someone like you (Adele). As duas falam desse tipo de situação, amores distantes, e ambas marcaram épocas.

Será que nós nos identificamos com canções assim porque já estamos a aceitar que amores que valem a pena não existem? Espero que não seja este o caso!

A canção da Celine fala de um amor que se foi, que foi separado pela distância e pelo espaço, e agora só existe no coração dela. O coração dela é o que faz o amor ainda existir… Já a canção da Adele em questão fala de duas pessoas que se amam e que se reencontram, sendo que uma vê a outra já estabilizada, com outra pessoa, aparentemente vivendo feliz; então a pessoa ainda sozinha apenas deseja felicidade à outra e diz acreditar que conseguirá alguém parecido com o amor anterior…

Ora, tais músicas nos tocam! Não obstante, não encaremos, por favor, o amor verdadeiro, aquele pra vida toda, como algo impossível, distante, inacessível. O amor existe, ainda, e devemos basear a nossa vida nele. Devemos nos lembrar que, embora o ser humano seja um bicho, um animal com instinto selvagem e desejo de satisfação sexual, nós desenvolvemos uma capacidade ou necessidade ímpar: possuir sentimentos. Nós nos distanciamos dos demais seres da natureza neste aspecto: não podemos viver simplesmente pela satisfação das necessidades fisiológicas. Nós carecemos de coisas simbólicas, sentimentais, afetivas…

Não desistamos de encontrar o amor que vale a pena. Aqueles que conseguem (e quem procura sempre consegue) sentem-se felizes por toda a vida, até o final da existência!


Concepção Marcondeniana do amor

13 de fevereiro de 2012

 

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O amor, em minha concepção, trata-se de um prolongamento do gostar, ou um gostar que se prolonga no tempo.

 

 

Alguns realmente argumentaram que o amor é mais profundo que o gostar, e eu não discordo disso. Mas considero esta minha concepção filosófica mais profunda do que esta significação quase “mística” que dão a este sentimento puramente humano.

 

 

Gostar significa certa identificação do objeto do desejo (físico e sentimental). Ou seja: a pessoa sente-se sintonizada com o objeto de afeto e carinho. No entanto, este gostar inicial ainda situa-se muito na superficialidade — não conhecemos os defeitos da pessoa, todos os gostos, todos os sentimentos, todos os modos de agir, etc. Nós nos identificamos apenas com algumas características básicas. Parece que o objeto de nossa identificação nos supre alguma necessidade psicológica. Um exemplo clássico: a pessoa possui uma personalidade muito insegura e carente de afeto — é provável que ela sinta-se muito achegada a alguém que transmita segurança nas opiniões e que seja também carinhosa.

 

 

Bem, este gostar inicial dá um incentivo de continuação do relacionamento. É como se fosse um convite para uma chance futura de continuação. Será que a continuação se concretiza? Bem, quando isto acontece, o avanço do tempo faz com que o gostar inicial vá cada vez mais se aprofundando. Características iniciais, que nos chamaram a atenção à pessoa, vão-se entrecruzando com os demais traços de personalidade. Nós acabamos por nos adaptar às novas circunstâncias. Nós passamos a deter agora toda a completude da personalidade da pessoa: qualidades e defeitos, virtudes e vícios…

 

 

Onde entra o amor? Ora, vamos definir o amor de uma forma interessante: digamos que ele seja um sentimento de negatividade em nós mesmos. A minha concepção de amor é esta — negatividade. Como assim?

 

 

O amor acontece pela negatividade em nós mesmos no sentido de que sempre procuramos nos outros aquilo que falta em nós — é como se fosse um complemento. Alguns até mesmo chamam pessoas que se amaram por toda a vida de “alma gêmea”: eles se completam. Reflita sobre isso e veja que não foge à realidade!

 

 

O amor parece ser uma continuação da sensação do gostar inicial. O gostar inicial serve de convite ao conhecimento da completude da personalidade da outra pessoa. Ao conhecermos cada vez mais essa tal completude, vamos progressivamente e gradualmente percebendo um encaixe entre a pessoa e nossas carências. É por isso que alguns até mesmo chegam a não se imaginar sem aquela determinada pessoa. Aquela pessoa supre a negatividade do seu “eu”. Amor é isso — ver naquela pessoa o que falta em nós e sentir-se feliz por isto.

 

 

Esta interpretação do amor pode nos servir de base filosófica de entendimento para a afirmação conhecida mundialmente, a saber: “Deus é amor”. Esta frase foi escrita por um dos primeiros líderes do Cristianismo, o apóstolo João, seguidor direto e pessoal do fundador desta religião, no final do século I d.C. A frase completa afirma que “quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 João 4:8) O que a interpretação de negatividade do amor exposta aqui tem a ver com Deus ser amor? O segredo está aqui — Deus é visto como o Criador das coisas e das pessoas e é amor, logo nós também podemos ser “deuses criadores”, nesta concepção, de pessoas em nós mesmos. Quando nós amamos alguém nós “criamos” esta pessoa dentro de nós. Nós nos tornamos “criadores” ou “deuses” e fazemos a pessoa existir em nós. É por isso que pode-se filosoficamente interpretar que Deus é amor: ele nos criou (para os cristãos, literalmente) e nós também podemos criar aquilo que nos falta (a pessoa que nos completa, figurativamente).

 

 

Mas quantas pessoas amam desta forma atualmente? Quantas pessoas estão decididas a amar no sentido de complementação ou de formação ou de criação de algo dentro de si? — poucas, muito poucas!

 

 

Infelizmente devo reconhecer que as pessoas da sociedade atual (mas isto não é novo, apenas se intensifica cada vez mais) estão perdendo ideologicamente, deixando esfacelar-se, a nossa criação humana mais importante: os sentimentos! A nossa capacidade única de racionalidade possibilitou o desenvolvimento dos sentimentos. Nós fomos capazes de aprender coisas abstratas, que vão além dos instintos físicos. Ora, parece que agora estamos regredindo — isto não deve ser encarado como um texto conservador — nós estamos abandonando o que nos torna humanos. Pode parecer patético, mas não é. É um fato inerente de nossa espécie. Nós não possuímos apenas as necessidades fisiológicas! A nossa espécie, mais evoluída, desenvolveu necessidades sentimentais, psicológicas…

 

 

As pessoas que parecem querer demonstrar que vivem felizes por levar uma vida fútil — de satisfação dos desejos físicos do corpo apenas — não são sinceras consigo mesmas. Embora elas talvez interpretem (ou queiram interpretar) que isto, para elas, é felicidade, estão “nadando contra a maré”. A espécie humana desenvolveu os sentimentos e as necessidades abstratas, da alma, e isto não pode ser simplesmente renegado sem perdas ou traumas pessoais. Observe-se que pessoas sem quaisquer demonstrações de sentimentos, amorfas, acabam por demonstrar à sociedade, posteriormente, que são portadoras de sérios transtornos psicóticos — eles afastaram-se num grau elevado da real condição humana: possuir sentimentos.

 

 

Portanto, enfim, o conselho ou exortação que eu — aliás, eu não — os amoristas dão a todos, é que procurem ser “deuses”, criadores de outros em si mesmos. Quando nós amamos alguém por encará-lo como um complemento, e nisto há reciprocidade, ambos tornam-se pessoas melhores e mais completas. Não existe amor ruim. O amor só faz o bem, embora ainda assim seja algo imperfeito por pessoas imperfeitas. Deus é amor e ele criou — nós podemos nos tornar criadores em nós mesmos, desde que sigamos a mais sensacional das coisas conhecidas no Universo até o momento: a racionalidade da espécie humana.

 

 


O Transe Religioso e a Ciência

4 de fevereiro de 2012

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NOTA SOBRE O TRANSE RELIGIOSO E A CIÊNCIA:

Canabis Sativa

Canabis Sativa

O uso da droga Canabinol pode ser útil nas pesquisas e na formulação de teorias explicativas para os fenômenos associados ao transe religioso. Eu recomendaria o uso pelos cientistas na verificação do processo.

As pessoas que experimentam o transe, em algumas seitas religiosas, passam por processos de dissociação da personalidade. Elas acreditam incorporar entidades de outro plano existencial. Esta crença explicaria o comportamento dissociativo da mente, a incorporação. Não obstante, os que usam a substância mencionada também passam por processos semelhantes de dissociação da personalidade, embora em níveis diferentes. Como as ciências da mente poderiam usar o Canabinol no processo de explicação do transe religioso?

Bem, o que acontece durante o transe parece ser causado por uma inversão do processo causado pelo Canabinol. Enquanto a droga consegue distorcer a realidade e causar alucinações por meio de alterações químicas no sistema nervoso, aqueles que entram em transe parece que conseguiram desenvolver as alterações químicas por meio de processos psicológicos. Esta teoria já pode ser comprovada pela ciência, ou seja: processos psicológicos interferir em processos químicos. Por exemplo, um susto (psicológico) altera os níveis de Adrenalina (química); um relacionamento amoroso (psicológico) altera os níveis de Dopamina ou de Serotonina (química). O que estamos analisando é o processo inverso: assim como as substâncias Adrenalina, Dopamina e Serotonina poderiam causar reações psicológicas a elas relacionadas e as reações psicológicas alterar os níveis destas mesmas substâncias no organismo, o Canabinol causaria alterações químicas peculiares semelhantes ao transe religioso – será que o transe também não poderia causar alterações químicas semelhantes ao Canabinol?

Deve-se verificar se o transe religioso pode ser um fenômeno no qual questões psicológicas interferem e alteram processos químicos no sistema nervoso central.


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