As Diferentes Maneiras de Contar a Mesma História

28 de fevereiro de 2011

Se a história da Chapeuzinho Vermelho fosse verdadeira, como ela seria veiculada pela imprensa brasileira?

 

 Jornal Nacional

(William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem.’

(Fátima Bernardes): ‘Mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.’

Programa da Hebe

 “Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?”

Cidade Alerta

 ”Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva. Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!”

Superpop

 ”Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!”

Globo Repórter

“Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta. E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter…”

Discovery Channel

“Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.”

Revista Veja

 ”Lula sabia das intenções do Lobo.”

Revista Cláudia

 ”Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.”

Revista Nova

 ”Dez maneiras de levar um lobo à loucura, na cama!”

Revista Isto É

Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

Revista Playboy

(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho no mês seguinte): “Veja o que só o lobo viu.”

Revista Vip

“As 100 mais sexies – Desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!”

Revista G Magazine

 (Ensaio com o lenhador) “O lenhador mostra o machado.”

Revista Caras

 Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser devorada, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa.”

Revista Superinteressante

 “Lobo Mau: mito ou verdade?”

Revista Tititi

 “Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio.”

Folha de São Paulo

 ”Lobo que devorou menina era do MST”

O Estado de São Paulo

 ”Lobo que devorou menina seria filiado ao PT.”

O Globo

 ”Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente.”

O Povo

 ”Sangue e tragédia na casa da vovó.”

O Dia

 ”Lenhador desempregado tem dia de herói.”

Extra

 ”Promoção do mês: junte 20 selos, mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!”

Zero hora

 ”Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!”

Capricho

Teste: “Seu par ideal é lobo ou lenhador?”

 

 

 

 

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(Texto enviado por email)


Pesquise a Árvore Genealógica de Sua Família!

17 de fevereiro de 2011
missionários mórmons

missionários mórmons

Que eles são bem conhecidos, ninguém duvida! Os Santos dos Últimos Dias, mais conhecidos como Mórmons, já são uma peculiar imagem nos centros urbanos, com seus uniformes branco e preto e crachás bem distintivos. Os élderes (título dos missionários) e sisters (título das missionárias) realizam com bastante zelo e dedicação o seu trabalho de divulgação da mensagem da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em todo o mundo. Talvez esses missionários somente sejam menos conhecidos do que as implacáveis Testemunhas de Jeová.

Bem, popularidade à parte, o fato é que esses novos movimentos religiosos (resultado da relativização do Cristianismo) produzem intrigantes e inovadores reflexos sociais. A Igreja dos Santos dos Últimos Dias lançou ultimamente, nesta era da informatização, um site de busca genealógica. Qualquer pessoa agora pode contar com esta avançada ferramenta para pesquisar as suas origens. É uma pena que entre nós, brasileiros, não demos atenção cultural à genealogia. No entanto, entre os Mórmons isto é bem diferente! Embora as pessoas não saibam, eles possuem uma crença interessante — os mortos que não conheceram o evangelho da Igreja, por falta de oportunidade, poderão fazê-lo por meio dos parentes vivos. Sim, eles possuem até mesmo o batismo pelos mortos, por procuração! Este é o motivo por trás do interesse na genealogia — salvar a maior quantidade possível de parentes já falecidos.

São palavras entusiásticas do líder mórmon Thomas S. Monson: “Testifico que, quando fazemos todo o possível para fazer a obra que temos diante de nós, o Senhor coloca a nossa disposição a chave sagrada necessária para abrir o tesouro que tanto buscamos.” Com certeza este avançado sistema tecnológico de busca genealógica, disponível nos arquivos da Igreja, poderá servir como “chave sagrada”, para os objetivos religiosos dos Santos dos Últimos Dias.

Veja esta reportagem sobre os arquivos da Igreja:

Pesquise sua História Genealógica no site FamilySearch:

https://new.familysearch.org/pt/

Conheça melhor a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias:

http://www.mormon.org/welcome/0,6929,403-2,00.html


Agnósticos — Concebam os Níveis Incognoscíveis!

10 de fevereiro de 2011

Existem algumas concepções em que há a possibilidade de apreensão concomitante à incapacidade de compreensão. Para alguns esta ideia é simplesmente implausível, visto consentirem o processo cognitivo como uma trajetória sempre linear, no sentido percepção > compreensão > apreensão. Bem, isso pode ser verdade no campo dos aprendizados materiais, empíricos. Mas o ser humano não vive somente de materialismo — isto é o que o torna especial, as abstrações.

De fato, nós montamos ao longo da história um universo simbólico tão amplo e complexo que tornou-se possível até mesmo haver uma inversão no processo cognitivo linear, em dadas situações.

Os níveis incognoscíveis

Por definição, o processo cognitivo é o processo da aprendizagem. Este é primeiramente assistemático, passando a ser didático, ou sistemático, somente algum tempo após o nascimento do novo ser humano. A aprendizagem sempre se dá por meio de abstrações, mesmo quando trata-se de algo prático ou material. Isso ocorre porque, depois de alguma percepção física, pelos órgãos dos sentidos, gera-se sempre um quadro mental a respeito daquela realidade ou experiência. Por exemplo, quando uma criança toma um choque elétrico na tomada; aquela percepção danosa gera uma compreensão mental da sensação, esta compreensão é apreendida, ou absorvida, e passa agora a fazer parte da personalidade da criança. Ela aprendeu o que é um choque elétrico.

No exemplo citado, a apreensão só foi possível por meio da compreensão gerada pela percepção sensorial, a sensação. No entanto, como comentado no início, entre nós seres humanos é possível haver uma inversão no processo linear, devido a nossa capacidade de abstração ímpar. Deve-se notar que esta inversão do processo cognitivo somente acontece quando o objeto cognitivo são ideias, que dispõem sensações físicas.

Devido a tal noção, podemos afirmar que existe a possibilidade da existência de variados universos de apreensão. Isso pode nos levar a inferir até mesmo na existência de outros níveis de realidade incompreensíveis à nossa mente humana. É por isso que afirmou-se que algumas coisas podem ser apreendidas (como esta ideia), mas não compreendidas. Não é verdade que a compreensão está muito ligada à sensação e a apreensão à abstração?

Níveis de realidade

Nós podemos presenciar vários níveis, ou universos, de realidade no nosso Universo total. Embora pareça uma coisa simplória, é necessário reconhecer a existência, por exemplo, do universo das cores, dos sons, dos sabores, das temperaturas, etc. Todos eles se unem na formação de uma mesma realidade.

Isso que foi colocado acima somente é perfeitamente compreendido quando acontece a alguém, por algum motivo, de ser privado o acesso a algum desses universos mencionados. Por exemplo, como se explicar a cor azul a alguém que é totalmente cego, desde o nascimento?  As palavras “cor” e “azul” inexistem no seu quadro mental de compreensão, devido a falta de sensação, mas há a possibilidade de apreensão da existência desse universo das cores, visto que os que enxergam o narram.

Agora, pensando em nosso caso, o que garante a não existência de universos incognoscíveis, ou de níveis de realidade incompreensíveis? Não seríamos nós como “cegos”, não podendo compreender a interpretação das “cores” simbólicas? No entanto, visto entendermos este questionamento, prova isto é de que o processo cognitivo linear possui exceções.

Os níveis e a verdade

Esta suposição a respeito de uma possibilidade existencial de níveis de realidade por nós incognoscíveis deixa “em xeque” a suposição de uma verdade absoluta e dominante. Por quê? Simplesmente pelo fato de tais realidades incognoscíveis só poderem ser apreendidas, porém jamais compreendidas.

O que é a verdade a não ser a medição de algo que foi compreendido por meio de referenciais preexistentes? Por exemplo, se eu compreender a priori que uma unidade mais uma unidade é igual a duas unidades, a soma um mais um sempre será dois não importa quais sejam tais unidades. Logo eu poderei dizer que é verdade, ou verdadeira,  a afirmação de que uma bala mais uma bala é igual a duas balas. Para haver verdade é necessário haver compreensão, que sempre provém de sensações. Nunca uma apreensão de uma ideia proveniente do inatismo produzirá verdades absolutas. Devemos lembrar aqui que o que move o intelecto é sempre a falta ou ausência do saber, coisa que a verdade absoluta elimina. De modo que, querendo ou não, se o ser humano pudesse conceber e apreender, compreendendo, todos os níveis de realidade existentes, que graça haveria em se viver, se a grande jogada da vida é imaginar aquilo que não se sabe?


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