Você é a favor ou contra o aborto?
Esse assunto tem trazido muita polêmica ultimamente. E a polêmica se concentra principalmente na questão de quando se origina a vida humana realmente. Alguns dizem que exatamente na concepção é quando a vida se inicia. Já outros, afirmam que o zigoto não passa de um amontoado de células em multiplicação.
Ora, uma coisa é certa: após a fecundação, do encontro do espermatozóide do homem com o óvulo da mulher, ali já se encontra o código genético do futuro ser humano. Sendo assim, ele já é um ser humano em potencial. Mas a questão não está aqui.
Esta grande polêmica só existe por causa da questão ideológica que é produzida por nossa sociedade muitamente influenciada por princípios religiosos, sectários. O relativismo histórico mostra claramente que algumas culturas, incluindo tribos aqui mesmo do Brasil, eliminam seus bebês que nascem deficientes. Isso parece acontecer naturalmente, dada a cultura daquelas tribos em questão. Ora, a morte de tais bebês não é algo natural, mas é feita de modo deliberado e aceito. Eles não têm a mesma concepção ideológica adotada pela nossa sociedade no geral.
Pois bem, quanto a ser a favor ou não do aborto isso é uma outra questão. Não deveria haver grupos extremistas no que diz respeito a ser ou não a favor do aborto. Isso porque, tanto os que defendem a prática como os que são contra não sabem realmente quando o zigoto se torna um humano. Ele é da espécie humana em potencial mas ainda não atingiu a plenitude dessa existência. A respeito de pôr um fim a esse direcionamento à tal plenitude, que seria o parto e o após disso, não podemos ser taxativos quanto a este assunto. Interessante que os que não são pro-aborto se definem como pro-vida. Ou seja, não achar que o zigoto é um ser humano em plenitude é encarado a não ser a favor da vida em si, em toda a sua totalidade do termo. Aqui nota-se um extremismo exacerbado até mesmo na terminologia adotada. Além do mais, aqueles que argumentam a favor do caso do zigoto (ou mesmo o feto) não ser um ser humano em plenitude recebem uma conotação sensacionalista de negatividade sem limites! Esse debate não deveria se dar de tal forma.
A legalização do aborto (não a prática) deveria ser feita. Isso possibilitaria que a questão ideológica dos que consideram o zigoto ou mesmo o feto como um ser humano em plenitude se tornasse válida apenas aos que aderem à mesma. Por que alguém poderia interferir de modo ideológico em leis que servem para toda uma sociedade formada também por indivíduos que não aderem de forma uniforme a tais ideologias? Ao contrário, no entanto, se a lei liberasse o aborto a questão ideológica não interferiria de forma fundamentalista, mas poderia continuar sendo válida aos que aderissem à ideologia em questão. Isso seria útil pelo fato da questão legal não ter a possiblidade atualmente de coibir a prática daquilo que a questão ideológica proíbe. Se nada muda, na realidade, por que não legalizar aquilo que serve para todos mas que é proibido validamente para não todos?
Um outro assunto que também é bem discutível trata-se da questão de quem é pro-aborto também ser pro infanticídio. Isso é colocado pelos que aderem às questões ideológicas dos pro-vida devido ao fato dos pro-aborto não poderem determinar quando o zigoto ou o feto é um ser humano realmente. Se a questão do ser humano for tornar-se humano ou adquirir subjetividade ou personalidade, os pro-aborto realmente poderiam ser infanticidas em potencial sem problema algum. Mas isso não é o que acontece de forma genérica. Muitos que cometeriam um aborto não cometeriam um infanticídio. O grande problema ainda se concentra em quando é o ponto inicial da plenitude do ser humano. Visto que ninguém pode determinar isso de forma científica e nem tampouco defendê-lo de forma filosófica, a legalização deveria ser realizada e a prática adotada somente pelos que não possuem nenhum ponto ideológico sensível a tal problemática. Após o nascimento, o novo ser humano atinge a plenitude existencial e por isso não depende mais da mulher, mas sim do Estado e da Constituição vigente.
Eu, pessoalmente, sou contra a prática do aborto. Mas sou a favor da legalização. E por que isso? Porque acredito que nada do que não pode ser taxado de forma definitiva, como a nossa consciência, por exemplo, pode ser obrigatório a uma sociedade que é formada por indivíduos que podem discordar de tais taxações. Eu creio que o que realmente defende a vida é a educação voltada para esta temática, educação esta que as religiões deixam muito a desejar. Ao invés de tentarem coibir a prática daquilo que elas sabem que não têm mais potencial ideológico de proíbirem, deveriam investir em tal educação. Não são as leis que permitem ou proibem as coisas. Matar é errado e muitos o fazem. Mas perguntem a alguém que realmente ama o próximo se faria tal coisa. Provavelmente ele responderia que aprendeu a amar e a respeitar a vida pelo próprio homem e por meio da educação humanitária, e não por um Deus morto. Não por uma ideologia morta…
(∞ Marcondes Lucena, sobre o aborto ∞)

23 23UTC Setembro 23UTC 2008 às 2:40 PM |
Sou tambem a favor da legalização do aborto,embora não a favor do aborto;aliás, por traz de preconceitos, discriminações, proibições, uso de camisinha e métodos contraceptivos há sempre a força conservadora da igreja/estado que é muito mais um poder politico do que religioso: Igreja católica apostólica Romana…
26 26UTC Novembro 26UTC 2008 às 12:48 PM |
Ótimo texto!
8 08UTC Dezembro 08UTC 2008 às 6:35 PM |
Em qualquer julgamento, existe uma regra quase universal: na dúvida, pró-réu … você já deve ter escutado falar dessa regra …
Na dúvida sobre quando a vida começa, se na fecundação, se até 3 meses depois da fecundação, se só no nascimento, mata-se o réu (o feto)? Esse é o procedimento correto? Não me parece uma posição defensável … mas sempre há os que escolhem estar do lado errado das questões …
19 19UTC Dezembro 19UTC 2008 às 11:52 PM |
Resposta do blog:
Não existe posição correta quando não se sabe o que é a verdade universal. Somente quando ocorre a escolha de um referencial é que pode-se deduzir uma suposta posição correta. Visto que um feto está no corpo de uma mulher, este “estar” pressupõe que a mulher tem o direito de dar continuidade ao processo ou não. Esse conceito é útil no caso de se evitarem infanticídios, visto que o novo ser humano já está independente existencialmente. Tudo o que vai além disso é apenas ideológico, por isso que deve ser deixado a mercê das próprias consciências individuais.
12 12UTC Maio 12UTC 2009 às 1:05 PM |
gostei do seu comentário
parabens
26 26UTC Setembro 26UTC 2009 às 12:28 AM |
como o marcondes disse “Não existe posição correta quando não se sabe o que é a verdade universal.”
resposta sensata!
então nos resta formar nossa opnião ou na crença ou na ética legalista.
Ou em nossa própria conciência.
eu tenho uma crença bastante diferenciada com relação a vida. Felizmente!